A 30ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP30) ocorreu em Belém e não conseguiu incorporar o "mapa do caminho" proposto pelo Brasil para o término do uso de combustíveis fósseis na declaração final. A proposta, que contava com o respaldo de mais de 80 países, esbarrou na resistência de nações produtoras de petróleo, especialmente a Arábia Saudita.
As discussões se prolongaram até a madrugada do último sábado (22) na tentativa de solucionar o impasse, que refletiu a profunda divisão entre países que buscam metas concretas de eliminação dos combustíveis fósseis e aqueles que temem que tais menções afetem seu desenvolvimento econômico.
André Corrêa do Lago, presidente da COP30, afirmou em entrevista à CNN que, embora a declaração final não tenha incluído a proposta brasileira, o país dará continuidade à iniciativa como um programa independente. Essa determinação contrasta com a postura inicial do presidente Lula, que havia mobilizado diversas nações em torno da necessidade de um plano claro para abandonar a era dos combustíveis fósseis.
O resultado da conferência evidenciou a continuidade da lacuna entre o reconhecimento da crise climática e a implementação de ações efetivas para combater sua principal causa: a queima de combustíveis fósseis. O climatologista Carlos Nobre apontou a ausência de qualquer referência à eliminação desses combustíveis como uma “grande lacuna”, ressaltando a urgência de se estabelecer metas para 2040.
Ainda assim, a COP30 registrou avanços significativos, como a criação do fundo TFFF (Florestas Tropicais para Sempre), que obteve um aporte de € 1 bilhão (aproximadamente R$ 6,1 bilhões) da Alemanha, ampliando seu total para mais de US$ 6 bilhões. Além disso, foram consolidadas iniciativas de financiamento para transição energética, embora a meta global de US$ 1,3 trilhão por ano ainda esteja distante.
O desfecho do evento gerou a percepção de que a COP30 poderia ter avançado mais, já que o lobby do petróleo, que já havia obtido êxito em limitar propostas anteriores, conseguiu novamente prevalecer diante dos discursos do Brasil e do suporte de economias globais.







