O Ministério do Comércio da China expressou nesta quinta-feira (25) a expectativa de que as empresas compradoras do controle da operação do TikTok nos Estados Unidos ajam em total conformidade com as leis e regulamentos chineses. A declaração surge após a ByteDance, controladora do popular aplicativo, assinar um acordo para reestruturar suas operações americanas.
A situação envolvendo o TikTok e os Estados Unidos tem sido um ponto sensível na relação entre os dois países. No início do ano, o governo americano chegou a banir a plataforma, citando preocupações com a segurança nacional e o potencial uso de dados de mais de 170 milhões de usuários por parte da China para espionagem.
O Acordo para o TikTok nos EUA
Para evitar o banimento total, a ByteDance buscou uma solução: a criação de uma nova empresa. Esta companhia, chamada TikTok USDS Joint Venture LLC, será independente e focará nas operações sensíveis do aplicativo em solo americano. Suas responsabilidades incluem a proteção de dados dos usuários, a segurança do algoritmo, a moderação de conteúdo e a garantia do software, pontos cruciais que preocupavam as autoridades americanas.
A nova joint venture será controlada por um consórcio de investidores dos EUA, liderado pela Oracle e pela Silver Lake, com o fundo MGX de Abu Dhabi também participando. A ByteDance manterá uma participação minoritária, inferior a 20%, na estrutura. A operação americana do TikTok está avaliada em cerca de US$ 14 bilhões (aproximadamente R$ 70 bilhões).
Um dos pilares deste acordo é o papel da Oracle. A empresa americana assume a função de "parceira de segurança confiável", encarregada de auditar o cumprimento das exigências de segurança nacional e de armazenar os dados dos usuários americanos em servidores localizados nos Estados Unidos. Essa medida visa blindar o TikTok contra futuras acusações de interferência externa.
China Pede Colaboração e Ambiente Justo
Durante uma coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério do Comércio da China, He Yongqian, enfatizou a necessidade de soluções que respeitem as leis chinesas e equilibrem os interesses de todas as partes envolvidas. Ele fez um apelo direto aos Estados Unidos:
Espera-se que os Estados Unidos trabalhem com a China na mesma direção, cumpram seriamente os seus compromissos correspondentes e proporcionem um ambiente de negócios justo, aberto, transparente e não discriminatório para a operação contínua e estável das empresas chinesas nos EUA.
Enquanto a nova joint venture cuidará das áreas consideradas sensíveis por Washington, as entidades ligadas à ByteDance continuarão responsáveis por funções comerciais globais, como publicidade, marketing e e-commerce. A previsão é que todo este complexo arranjo esteja finalizado até 22 de janeiro de 2026, data-limite estabelecida após vários adiamentos.
Este cenário sublinha a delicada balança entre interesses comerciais globais e as preocupações de segurança nacional, moldando o futuro de gigantes da tecnologia no cenário geopolítico atual.







