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Política

Carros elétricos e híbridos podem ficar mais caros com fim de isenção

O fim da isenção do imposto de importação para kits de veículos elétricos e híbridos, montados no Brasil, pode elevar os preços ao consumidor.

Redação ChicoSabeTudo
04 de fevereiro, 2026 · 14:42 3 min de leitura
(Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock)
(Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock)

Prepare o bolso! Os carros elétricos e híbridos montados aqui no Brasil, de marcas como a chinesa BYD e GWM, devem ficar mais caros nos próximos meses. Isso porque a isenção do imposto de importação para os kits de veículos que chegam desmontados, uma medida que vinha ajudando a baratear esses modelos, chegou ao fim em 31 de janeiro de 2026.

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A decisão do governo federal significa que esses veículos voltam a seguir um cronograma de impostos mais altos. Atualmente, a taxa é de 16% para carros que chegam totalmente desmontados (regime CKD) e 18% para os parcialmente desmontados (SKD). A expectativa é que esse imposto suba ainda mais, chegando a 35% em janeiro de 2027 – o mesmo valor cobrado para carros que vêm prontos do exterior.

Por que a isenção acabou?

Para entender o motivo do fim desse incentivo, precisamos voltar um pouco no tempo. O governo criou essa isenção lá em agosto de 2025. O objetivo era simples: dar uma força para as novas montadoras, especialmente as chinesas BYD e GWM, que estavam começando a operar no país enquanto construíam suas fábricas. Era uma forma de elas conseguirem entrar no mercado com preços mais competitivos.

No entanto, a medida não foi renovada por duas razões principais:

  • Pressão das "veteranas": A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que representa montadoras há muito tempo instaladas no Brasil (como Volkswagen, General Motors e Toyota), fez muita pressão. A Anfavea argumentou que o incentivo prejudicava quem já produz tudo localmente, investindo em peças e mão de obra brasileiras.
  • Ninguém pediu a prorrogação: Surpreendentemente, nenhuma das montadoras chinesas apresentou um pedido formal à Câmara de Comércio Exterior (Camex) para que o prazo da isenção fosse estendido.

Uma briga entre gigantes (e o consumidor no meio)

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Essa história toda gerou um grande bate-boca entre as montadoras "antigas" e as "novas". A Anfavea, por exemplo, defendeu que incentivar apenas a montagem de peças importadas, sem exigir o uso de componentes feitos no Brasil, poderia custar caro para a nossa economia. Eles estimam que isso poderia eliminar até 69 mil empregos e causar uma perda de R$ 103 bilhões.

Por outro lado, a BYD se defende, dizendo que sua chegada traz muita inovação e tecnologia para o Brasil. Para a empresa chinesa, a reação das marcas tradicionais é, na verdade, um medo de perder o controle do mercado e de não conseguir competir com os preços mais acessíveis que ela oferece.

"A chegada de novas tecnologias e a concorrência saudável são benéficas para o consumidor e para o desenvolvimento da indústria automotiva no Brasil", afirma um representante da BYD, indicando que a competição estimula a inovação.

O que muda para quem quer comprar um carro elétrico?

A consequência mais clara para você, que está pensando em comprar um carro elétrico ou híbrido dessas marcas, é o possível aumento nos preços dos modelos. Com a volta dos impostos, o custo de produção dessas montadoras vai subir, e essa diferença, claro, pode ser repassada para o consumidor final.

Mas nem tudo está perdido. As montadoras chinesas já estão se mexendo para se adaptar. A BYD, por exemplo, tem planos de começar a produção completa de veículos aqui no Brasil, com mais peças nacionais, já em 2026. A GWM, outra gigante do setor, também garante que já utiliza fornecedores brasileiros e faz a pintura dos seus carros localmente em sua operação.

Essa mudança no cenário dos impostos mostra um novo capítulo na eletrificação dos veículos no Brasil. O mercado, que vinha crescendo rapidamente com a chegada das novas marcas, agora se adapta a um ambiente de regras diferentes, buscando equilibrar incentivos com a proteção da indústria nacional.

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