O cenário político de Salvador, na Bahia, ganhou novos contornos com as declarações do presidente da Câmara Municipal, Carlos Muniz (PSDB). Ele não escondeu sua surpresa e insatisfação com a possibilidade de o senador Angelo Coronel, que recentemente deixou o PSD, se filiar ao PSDB.
Muniz foi direto ao afirmar que, caso essa movimentação aconteça sem sua participação ou consulta, ele se sentiria traído. O vereador deixou claro que as decisões dentro do partido deveriam ser tomadas de forma coletiva, e que a chegada de Coronel, neste contexto, seria um grande abalo.
"Me sentiria traído", diz Muniz
A entrevista concedida ao Projeto Prisma, podcast do Bahia Notícias, na última quarta-feira (11), foi o palco para as revelações de Muniz. As especulações sobre a filiação de Angelo Coronel ao PSDB surgiram após sua saída do PSD e o rompimento de laços políticos com o senador Otto Alencar. Desde então, o nome de Coronel tem sido associado a diversas legendas alinhadas ao grupo do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), incluindo os tucanos.
"Se isso acontecesse eu ia me sentir traído. Porque eu nunca participei de conversas onde ninguém da família Coronel viesse para o PSDB. E nunca aconteceu isso, seria a primeira vez. Se isso acontecesse, não tenho nada contra Coronel, que é uma pessoa que eu gosto e eu acho que terá êxito. Diferente dos outros que saíram do grupo do PT, eu acho que ele terá êxito na sua eleição e gosto muito dele", disse o vereador, ressaltando seu apreço pessoal pelo senador.
Apesar da amizade e da admiração por Angelo Coronel, o presidente da Câmara de Salvador frisou a importância da consulta interna no PSDB. Para Muniz, a falta de comunicação sobre um assunto tão relevante indicaria que ele não é mais desejado no partido.
"Mas seria algo que eu nunca fui consultado, e se não for consultado, as pessoas não me querem mais no partido. Então a decisão será para que Carlos Muniz que não participou e não teve acesso a nada que foi decidido nesse sentido, se retire. Então é algo que eu não acredite que aconteça", acrescentou Muniz, expressando sua descrença de que tal cenário se concretize.
A fala do vereador lança luz sobre as dinâmicas internas do PSDB na Bahia e sobre as complexas articulações políticas que antecedem as próximas eleições. A possível chegada de um nome forte como o de Angelo Coronel ao partido, mesmo que vista por muitos como um reforço, pode gerar tensões e realinhamentos inesperados entre os atuais membros da sigla.
É um momento de intensa movimentação nos bastidores da política baiana, onde cada palavra e cada decisão podem reverberar de forma significativa no tabuleiro eleitoral.







