Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Política

Carlinhos Brown defende mais apoio a blocos indígenas no Carnaval de Salvador

Carlinhos Brown defende mais apoio a blocos indígenas no Carnaval de Salvador. Ele pediu políticas públicas e suporte financeiro, destacando a importância cultural.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
15 de fevereiro, 2026 · 21:40 3 min de leitura
Foto: Ednei Cunha / Bahia Notícias
Foto: Ednei Cunha / Bahia Notícias

O cantor e compositor Carlinhos Brown usou a força do Carnaval de Salvador, na Bahia, para defender um apoio maior aos blocos indígenas. Durante um bate-papo com o portal Bahia Notícias no domingo de folia, o artista ressaltou a importância histórica e cultural dessas agremiações, que são verdadeiros pilares da festa e da identidade brasileira.

Publicidade

No coração do Campo Grande, um dos circuitos mais tradicionais da capital baiana, Brown fez sua declaração enquanto acompanhava o desfile do Apaches do Tororó. "Aqui está a minha escola. Eu a reconheço e reverencio", disse ele, mostrando seu profundo respeito pela trajetória desses grupos. O músico fez questão de lembrar a história de blocos que celebram a cultura indígena, como o Apaches e o Commanche do Pelô, ambos símbolos da festa soteropolitana.

Para Brown, sua conexão com esses grupos vem de longa data. "Antes do Apache eu passei pelo Commanche, eu passei por todas as entidades que ainda propõem a ideia e o conceito dos povos originários", revelou, destacando como essas experiências moldaram sua visão. Ele também citou a força do Caboclo 2 de Julho, figura icônica das celebrações cívicas da Bahia, simbolizando a liderança e a ancestralidade presentes na região: "Olha quem é o líder maior do Campo Grande, o Caboclo 2 de Julho".

Mais que festa: um apelo por apoio concreto

O pedido de Carlinhos Brown vai além do reconhecimento simbólico. Ele chamou a atenção para a necessidade urgente de políticas públicas e um apoio financeiro mais robusto para os blocos indígenas. Para o artista, a ajuda precisa ser prática, focada em logística e estrutura.

Publicidade

A situação dos povos indígenas que vêm do interior para participar do Carnaval é um exemplo claro dessa urgência. No sábado, integrantes de diversas tribos, como Tupinambás de Ilhéus e Pataxós de Porto Seguro, além de Kiriri, Kariri Xocó, Xucuru Kariri, Kariri e Pankararu, se deslocaram de suas cidades para estar em Salvador. A viagem e a permanência na capital, no entanto, são desafiadoras sem suporte adequado.

"Quem tem condição de viver, vem. Os povos originários não têm essa condição. Então precisa de ônibus, precisa se apresentar e tudo o que eles querem", explicou Brown. Ele lamentou que muitas vezes esses grupos sejam lembrados apenas em momentos pontuais, sem um suporte contínuo e justo. "Que na hora de dividir o patrocínio, usem um grupo desse só para ajudar nos ônibus, para ajudar nas comidas, para ajudar no que essas pessoas precisam", reforçou o cantor.

Carnaval: a grande sala de aula da identidade

Para Carlinhos Brown, o Carnaval é muito mais do que apenas diversão e entretenimento. É um espaço poderoso de formação cultural e de valorização da nossa rica diversidade. Ele vê a festa como uma oportunidade única para aprender e reconhecer as raízes do Brasil.

"Eles são os donos da terra e são eles que dão o conceito ao Brasil de afro-ameríndio miscigenado", destacou Brown, enfatizando o papel fundamental dos povos originários na construção da identidade brasileira. Ele lembrou que bairros históricos de Salvador, como Itapuã e Jaguaribe, carregam em seus nomes e culturas a essência de "tribos", reforçando essa ideia de pertencimento cultural profundo. "O carnaval é a maior sala de aula, é onde a educação mais se comporta em efetivos", afirmou o cantor, mostrando o potencial pedagógico da folia.

Ao final de sua fala, Carlinhos Brown fez um pedido enfático por respeito e reconhecimento a todas as entidades tradicionais. "Que o Commanche seja respeitado, que o Apache seja respeitado", concluiu. Para o artista, a presença vibrante desses grupos no Carnaval de Salvador é um símbolo de uma retomada histórica e cultural. Essa retomada, ele defende, precisa vir acompanhada de um apoio concreto e constante, tanto do poder público quanto da iniciativa privada, para que a essência desses povos continue a pulsar forte na maior festa popular do Brasil.

Leia também