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Política

Candidato promete "chacina" em bairros de Salvador se eleito

Renan Santos assumiu fala após ato na Reitoria da UFBA; moradores do Bairro da Paz pedem apuração ao MP-BA

Redação ChicoSabeTudo
29 de setembro, 2026 · 12:21 2 min de leitura

O candidato à Presidência da República Renan Santos, do partido Missão, afirmou nesta segunda-feira, 28 de setembro, que promoveria uma "chacina" em bairros periféricos de Salvador caso seja eleito. A declaração foi uma resposta a críticas recebidas após um ato de campanha realizado um dia antes, no domingo, 27, em frente à Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no bairro do Canela.

Durante o evento, Davi Pirajá, presidente do Missão na Bahia, defendeu ações policiais violentas contra o crime organizado no Bairro da Paz e no Planeta dos Macacos, em São Cristóvão. Pirajá chegou a falar em "banho de sangue" contra integrantes do Comando Vermelho nas duas comunidades.

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Diante da repercussão negativa, Renan Santos assumiu pessoalmente as declarações em vídeo publicado nas redes sociais, ao lado de Pirajá e de Quécia Reis. Ele repetiu o termo "chacina" e disse que, se eleito, tomaria a decisão como presidente da República, sem atribuir a fala apenas aos correligionários.

"Vocês querem que a gente faça uma retratação? Ganhando a eleição e eu me tornando presidente da República, não é mais ele falando, não é a Quécia falando: sou eu. Nós faremos uma chacina nesses bairros contra os membros das facções criminosas. Vamos passar a rapa neles", disse Renan Santos.

Pirajá também reforçou o discurso durante o ato de campanha. "Tem que ter uma chacina no Bairro da Paz, tem de ter uma chacina em Planeta dos Macacos. A gente tem de entrar nessas favelas e fazer um banho de sangue com todo mundo do Comando Vermelho. Salvador é nossa", declarou.

Em outro trecho da manifestação, Renan Santos defendeu ainda o fim da progressão de regime para integrantes de facções que se entregarem, com penas de 40 a 50 anos de prisão.

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O Conselho de Moradores do Bairro da Paz divulgou nota classificando as falas como "criminosas e covardes" e pediu que o Ministério Público da Bahia, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) e a Polícia Civil apurem o episódio. A entidade também solicitou investigação sobre eventual responsabilidade dos organizadores do ato.

O Fórum de Entidades do Bairro da Paz publicou nota própria de repúdio, destacando que a comunidade tem quase 45 anos de existência e não pode ser tratada como alvo de discurso de extermínio. O grupo encaminhou pedido de apuração à Procuradoria-Geral de Justiça da Bahia. Segundo a reportagem do Farol da Bahia, um procurador apontou possível enquadramento da fala no artigo 287 do Código Penal, que trata de incitação ao crime, a ser analisado pelas autoridades competentes.

A reportagem do Farol da Bahia também menciona declaração anterior de Renan Santos, feita durante sabatina na TV Globo, sobre fazer "jorrar" sangue de criminosos.

Até a conclusão desta reportagem, não foram localizadas notas oficiais da SSP-BA, da Polícia Civil, do Ministério Público da Bahia, da Prefeitura de Salvador ou do partido Missão sobre o caso.

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