A caminhada iniciada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) em Minas Gerais, que pedia a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro e de pessoas detidas pelos atos de 8 de janeiro, ganhou um grande impulso ao longo de sua jornada. O que começou na última segunda-feira (19) com apenas cinco pessoas, incluindo o próprio Nikolas, em Paracatu, em Minas Gerais, transformou-se em um movimento com mais de mil participantes até a última quarta-feira (21).
O grupo, que se propôs a andar 240 quilômetros até Brasília, chegou à cidade de Cristalina, em Goiás, no terceiro dia da iniciativa. A chegada na cidade goiana marcou o ponto de 110 quilômetros percorridos, com outros 130 quilômetros ainda a serem caminhados até a capital federal, onde um grande ato público está programado para o próximo domingo (25).
Crescimento e apoio na estrada
A adesão massiva de pessoas mudou o perfil da caminhada. Inicialmente, Nikolas Ferreira e os poucos participantes tinham a intenção de seguir apenas pelo acostamento da rodovia. Contudo, com o aumento do número de manifestantes, a Polícia Militar de Goiás passou a acompanhar o grupo, que agora ocupa uma das faixas da BR-040, rodovia que conecta o Rio de Janeiro ao Distrito Federal.
Essa mudança no trajeto causou um engarrafamento considerável perto de Cristalina, estendendo-se por vários quilômetros. Além da ocupação da pista, muitos motoristas de carros e caminhões paravam para registrar o momento com fotos e vídeos, contribuindo para a lentidão do trânsito. Diversos parlamentares se juntaram à caminhada, mostrando apoio à causa. Entre eles, o senador capixaba Magno Malta (PL), que, mesmo andando de muletas, se uniu ao grupo e seguiu sendo empurrado em uma cadeira de rodas, à frente dos manifestantes.
Churrasco com "picanha do mito"
Durante a pausa para o almoço, os participantes receberam um apoio inusitado e com um toque familiar aos apoiadores de Bolsonaro. O Frigorífico Goiás, conhecido por seu engajamento em campanhas pró-Bolsonaro, organizou um churrasco para os caminhantes. Foram distribuídas peças da famosa "picanha black", apelidada carinhosamente de "picanha do mito", que vinham com a imagem do ex-presidente na embalagem.
No local montado pelo frigorífico, também foram exibidos produtos com ilustrações criadas por inteligência artificial, incluindo uma imagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usando a faixa presidencial. O Frigorífico Goiás, sediado em Goiânia, ganhou destaque nacional em 2022 por sua explícita campanha pela reeleição de Bolsonaro, incluindo o uso de helicópteros com mensagens eleitorais em motociatas e a venda da "picanha do mito" a R$ 22 o quilo, fazendo alusão ao número de urna do então candidato.
O destino: Brasília
Ao final da tarde de quarta-feira (21), o grupo foi calorosamente recebido por centenas de pessoas ao chegar em Cristalina. A meta é finalizar a caminhada em Brasília no domingo (25), culminando em um ato público que ainda não teve seu local exato definido. Os manifestantes pretendem reforçar os pedidos de liberdade para Jair Bolsonaro e para as pessoas presas após os eventos de 8 de janeiro. Além disso, a pauta incluirá a defesa da derrubada do veto do presidente Lula ao projeto que trata da dosimetria das penas para os condenados pela tentativa de golpe.







