A movimentação política em Brasília trouxe um novo fôlego para o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União). A entrada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, no Partido Social Democrático (PSD) abriu uma porta importante para que o líder da oposição na Bahia consiga apoio presidencial sem ser rotulado diretamente como bolsonarista.
Quem acompanha de perto o cenário político de ACM Neto sabe que ter um candidato à presidência para chamar de seu é fundamental. Em 2022, a falta de um nome forte o suficiente para puxar sua campanha na Bahia foi um dos grandes problemas. Naquela época, a campanha teve dificuldades sem um palanque presidencial robusto – a candidata Soraya Thronicke não conseguiu mobilizar o eleitorado baiano como se esperava, e ninguém quer repetir esse erro.
Um novo caminho para ACM Neto
Para ACM Neto, a candidatura de Ronaldo Caiado pelo União Brasil era o cenário ideal. Tanto que ele tentou, até o último minuto, resolver as divergências entre Caiado e o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas. Sem acordo, Caiado precisou buscar outro partido para tentar uma vaga na corrida presidencial de outubro, e o PSD se tornou essa nova casa.
No PSD, Caiado se junta a outros governadores, como Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Essa união fortalece o discurso de uma reorganização da direita brasileira que busca se afastar tanto do bolsonarismo quanto do extremismo. É um esforço do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, para construir uma narrativa de “terceira via”, posicionando o partido mais ao centro do espectro político, longe do bolsonarismo e também distante do petismo e lulismo do governo atual.
Esse novo panorama oferece um terreno fértil para candidatos de direita que não querem ser vistos como aliados fiéis de Jair Bolsonaro. Apesar de seus adversários terem tentado colar a imagem de ACM Neto ao ex-presidente, especialmente após a pandemia, ele manteve uma certa distância da gestão de Bolsonaro. Na Bahia, um estado historicamente lulista e governado pela esquerda há duas décadas, abraçar totalmente o projeto bolsonarista seria uma estratégia arriscada demais.
Desafios e as complexidades da política baiana
Apesar dessa 'tábua de salvação' que Caiado representa, a situação de ACM Neto não é simples. O PL, partido do ex-presidente Bolsonaro, já formalizou apoio à sua candidatura ao governo da Bahia. João Roma, seu adversário em 2022, deve integrar a chapa de ACM Neto como candidato ao Senado. Seguindo as orientações do PL nacional, Roma trabalhará para construir um palanque para Flávio Bolsonaro, ligando o grupo de oposição na Bahia, ainda que a contragosto de ACM Neto, ao bolsonarismo.
O PSD com Caiado, Ratinho Jr. ou Eduardo Leite surge, então, como a grande chance de ACM Neto ter um palanque presidencial mais “aberto”, com mais de um candidato à presidência dialogando com a oposição baiana. Essa deve ser a estratégia adotada por ele, já que a federação União Progressista tende a não lançar candidatura própria. O governador de Goiás trouxe uma janela de oportunidade que, até então, parecia intransponível, especialmente porque o PSD da Bahia continua firme no apoio à reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT).
Essa dubiedade é bem característica da política brasileira, especialmente no centro, que muitas vezes funciona como fiel da balança no Congresso Nacional. Em 2026, esse centro pode ganhar ainda mais força para negociar nas campanhas eleitorais. Entender os vários interesses envolvidos é um desafio, mas ver a chegada de Caiado ao PSD como uma “tábua de salvação” ajuda a simplificar um pouco esse complexo cenário.







