Última hora
Publicidade
PI 45578
Política

Brasil e EUA voltam à mesa de negociação comercial nesta semana

Equipes voltam à mesa após telefonema entre Lula e Trump; Brasília vê motivação política nas tarifas

Redação ChicoSabeTudo
31 de agosto, 2026 · 18:40 2 min de leitura

Brasil e Estados Unidos retomam nesta segunda-feira (31) as negociações sobre o comércio entre os dois países. As equipes dos dois governos voltam a se reunir depois de um período de impasse causado pela aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros.

Publicidade

A Casa Branca havia imposto, de forma unilateral, uma tarifa de 25% sobre parte das importações vindas do Brasil no final de julho. Depois, o país foi alvo de um segundo tarifaço, de 12,5%, sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado.

A retomada das conversas aconteceu depois de um telefonema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no dia 21 de agosto. Durante a ligação, Lula reforçou a posição do governo brasileiro de que as tarifas não têm justificativa válida. Foi Trump quem propôs retomar o diálogo entre as equipes técnicas dos dois países.

A justificativa usada para a tarifa de 12,5%, relacionada ao combate ao trabalho forçado, também foi aplicada a outros 59 países e à União Europeia. Segundo avaliação do governo brasileiro, essa medida teria sido criada para substituir um tarifaço anterior que havia sido derrubado pela Suprema Corte dos Estados Unidos em fevereiro deste ano.

Publicidade

Já o tarifaço de 25% se baseia em uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA, conhecido pela sigla USTR. A investigação aponta que o Brasil adotaria práticas comerciais consideradas "desleais" em áreas como pagamentos eletrônicos, caso do sistema Pix, e no acesso ao mercado de etanol.

O governo brasileiro rebate essa avaliação e argumenta que o tarifaço tem motivação política, sem relação com a realidade do comércio entre os dois países. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, "os negociadores dos EUA pediam a abertura total de mercados do Brasil sem apresentar contrapartida".

Brasília também enxerga o episódio dentro de um movimento mais amplo da Casa Branca para reafirmar influência sobre a América Latina, em um momento de avanço econômico da China na região. Além disso, o governo brasileiro considera que as tarifas podem ser uma tentativa de interferir nas eleições gerais de outubro no Brasil.

Publicidade

Leia também