O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cancelou a entrevista exclusiva que concederia ao portal Metrópoles nesta terça-feira (23/12). O encontro, que havia sido autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorreria nas dependências da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, local onde o ex-presidente cumpre prisão preventiva.
A desistência foi comunicada diretamente à coluna de Paulo Cappelli por meio de um bilhete escrito à mão pelo próprio ex-presidente. No texto curto, Bolsonaro justificou a ausência alegando questões médicas. “Informo que não concederei entrevista nesta data, por questões de saúde”, escreveu o ex-presidente no manuscrito.
A autorização para a entrevista era um movimento incomum no processo, permitindo que Bolsonaro rompesse o silêncio após sua detenção em 22 de novembro. Na ocasião, o ex-presidente foi preso após o sistema de monitoramento eletrônico emitir um alerta de violação. Investigações e perícias confirmaram que Bolsonaro utilizou um ferro de soldar para tentar danificar o dispositivo, alegando posteriormente ter agido por "curiosidade" ou sob efeito de um "surto" causado por medicamentos.
A defesa do ex-presidente tem reforçado que seu estado de saúde, tanto físico quanto mental, vem se deteriorando desde o início do cumprimento das medidas cautelares. Aliados próximos afirmam que o isolamento na sede da PF e o regime de prisão domiciliar anterior, marcado por episódios de paranoia relatados pelos advogados, têm impactado o bem-estar do político.
Atualmente, Jair Bolsonaro permanece detido na Superintendência da Polícia Federal. O Supremo Tribunal Federal aguarda manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e novos laudos técnicos sobre o estado de saúde do ex-presidente para avaliar pedidos de transferência ou retorno ao regime domiciliar.








