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Política

Big Techs Enviam Mais Faturamento ao Exterior e Imposto Recua

Big techs como Google e Amazon enviaram mais dinheiro para fora do Brasil nos últimos 10 anos. Enquanto a receita disparou, a taxação específica sobre essas remessas diminuiu.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
08 de dezembro, 2025 · 22:44 4 min de leitura
(Imagem: Mehaniq/Shutterstock)
(Imagem: Mehaniq/Shutterstock)

Nos últimos dez anos, as gigantes da tecnologia — as chamadas big techs — mudaram bastante a forma como operam no Brasil. Um estudo, com dados da Receita Federal e divulgado pela Folha de S. Paulo, mostra que essas empresas, como Google, Amazon e Microsoft, passaram a enviar uma fatia muito maior do dinheiro que faturam aqui para fora do país. E, no mesmo período, os impostos pagos especificamente sobre essas remessas diminuíram.

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Essa mudança acontece num momento de muitas discussões sobre como taxar e regular essas empresas globais. O assunto ganha força porque, enquanto o Brasil vê uma parte crescente da receita das big techs ir para o exterior, a arrecadação sobre esses envios tem um comportamento diferente da que incide sobre o faturamento total das empresas.

O Dinheiro que Vai para Fora Dispara

Os números da Receita Federal revelam um aumento impressionante. Em 2014, as big techs mandavam para o exterior cerca de 17,12% do que faturavam no Brasil. Uma década depois, em 2024, essa proporção saltou para 55,66%, ou seja, mais da metade do dinheiro gerado aqui vai para outros países. Houve até um pico em 2023, quando 61,87% do faturamento foi remetido.

Se olharmos para os valores absolutos, o crescimento é ainda mais chocante: de R$ 2,8 bilhões em 2014 (ou R$ 4,93 bilhões já corrigidos pela inflação) para incríveis R$ 80,3 bilhões em 2024. É um aumento de 323% na parcela do faturamento remetida, um volume que mostra a dimensão dessa movimentação financeira.

Receita Aumenta, Mas Impostos sobre Remessas Caem

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É importante entender que o faturamento bruto dessas plataformas no Brasil também cresceu muito, de R$ 21,327 bilhões em 2014 para R$ 144,3 bilhões em 2024, um salto de 585%. E a carga tributária federal geral, que incide sobre o faturamento bruto, até subiu um pouco, de 17,9% para 22,7%. Isso considera a atuação de gigantes como Amazon (incluindo AWS), Apple, Facebook, Google, Google Cloud, Microsoft e Nvidia.

Mas aqui está o ponto crucial: apesar do crescimento da receita e do aumento da carga tributária federal geral, os impostos que incidem especificamente sobre o dinheiro enviado para fora (as remessas) diminuíram. Em 2014, eles representavam 30,42% e, em 2024, caíram para 22,13%.

A Razão por Trás da Queda nos Impostos

Por que essa queda? Não foi porque as alíquotas de imposto mudaram. O que mudou foi o tipo de dinheiro que as empresas enviam. Remessas com finalidades como royalties, por exemplo, que geralmente têm uma taxação menor, passaram a ter uma participação maior no volume total. Já o dinheiro enviado para pagar rendimentos do trabalho, que costuma ter impostos mais altos, perdeu espaço.

Setor de Tecnologia Comparado a Outros

Um levantamento da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) ajuda a colocar o setor de tecnologia em perspectiva. Ele mostra que a tecnologia, que está na categoria de "serviços", não é o setor mais tributado do país.

  • A indústria de transformação é quem paga mais impostos no total: 49,2%.
  • O setor de serviços, que engloba as big techs, bancos e outros, paga cerca de 29,7% no total.
  • Na outra ponta, agropecuária e indústria extrativa têm uma carga de 8%.

Se olharmos só para os tributos federais, a indústria ainda lidera com 23,2%, enquanto os serviços ficam em segundo com 16,9%.

"A indústria já aparece como o setor que mais paga tributos no Brasil", disse Jonathas Goulart, economista-chefe da Firjan, destacando o impacto do ICMS sobre a produção industrial.

O Que Dizem as Empresas de Tecnologia

As big techs, por meio da Câmara Brasileira da Economia Digital (camara-e.net), defendem que o setor contribui muito para o desenvolvimento do Brasil e é um dos grandes pagadores de impostos. A entidade apresentou um estudo que indica que as empresas de serviços digitais pagam, em média, 16,4% da receita bruta em tributos federais, um valor que consideram mais que o dobro da média de outros setores (6,1%).

Para as empresas que operam com regime de lucro real, essa carga chega a 18,3% da receita. Sobre o aumento das remessas, a Câmara explica que isso é algo natural para empresas globais, especialmente no setor de tecnologia, que lida muito com propriedade intelectual e serviços internacionais.

O debate continua aberto, com os dados da Receita Federal colocando luz sobre a complexa relação entre o crescimento das big techs no Brasil e a forma como seus recursos são movimentados e tributados.

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