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Política

Bahiagás: Dois anos e meio de indefinição marcam futuro da empresa na Bahia

A Bahiagás, gigante do setor de gás natural no Brasil, vive uma novela de indefinição sobre sua privatização, com estudos pagos e declarações conflitantes do governo da Bahia.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
04 de fevereiro, 2026 · 03:10 3 min de leitura
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Bahiagás: gigante estratégica com futuro incerto na Bahia

A Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás), que orgulhosamente ocupa a segunda posição entre as maiores distribuidoras de gás natural do Brasil e é peça-chave no setor energético do país, vive uma situação que mais parece uma novela sem fim. Já são dois anos e meio de pura indefinição sobre o seu futuro, mesmo com estudos e declarações públicas que, muitas vezes, parecem se contradizer.

Contradições e reviravoltas na possível privatização

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A história da incerteza começou lá em setembro de 2022, ainda sob a gestão do ex-governador Rui Costa (PT). Naquela época, o Diário Oficial do Estado chegou a publicar um edital para contratar serviços técnicos para estruturar um projeto de desestatização, ou seja, de privatização da empresa. Acontece que a publicação gerou uma repercussão negativa enorme, afinal, estávamos em pleno período eleitoral. Resultado? A licitação foi suspensa menos de 24 horas depois.

Mas a trama não parou por aí. Uma semana após o segundo turno das eleições, em novembro de 2022, o mesmo edital reapareceu. O governo mudou o título, tirando a palavra “desestatização”, mas o texto lá dentro continuou idêntico. O trabalho de elaborar o projeto de privatização da Bahiagás ficou nas mãos do Genial Consórcio, que recebeu cerca de R$ 4 milhões do governo estadual para isso.

Já em maio de 2023, com Jerônimo Rodrigues (PT) no comando do estado da Bahia, um novo capítulo. O governo solicitou e contratou uma empresa para fazer mais estudos técnicos, desta vez com foco em uma análise econômico-financeira da Bahiagás. A ideia era abrir caminho para uma possível privatização, se essa fosse a decisão final.

“A Bahiagás é uma empresa muito estratégica para o governo do estado. Mas sobre uma possível privatização ou uma remodelagem da operação da Bahiagás, essa decisão será tomada pelo governador”, afirmou Ângelo Almeida, secretário de Desenvolvimento Econômico, na ocasião, confirmando que a palavra final é de Jerônimo Rodrigues.

Declarações oficiais: “Não queremos privatizar”

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Apesar de todos os estudos, o discurso oficial começou a mudar. Em outubro de 2023, durante um evento para ampliar o fornecimento de gás na Bahia, o próprio governador Jerônimo Rodrigues foi taxativo e negou qualquer interesse do governo em privatizar a empresa pública.

Quase um ano depois, em fevereiro de 2024, foi a vez de Afonso Florence, secretário da Casa Civil da Bahia, reforçar a posição, garantindo que o tema da privatização não estava em discussão na cúpula do governo.

Até mesmo Luiz Gavazza, diretor-presidente da Bahiagás, indicado por Jerônimo Rodrigues, entrou na conversa em outubro de 2024. Em entrevista, ele disse que o governo não tinha interesse em vender a Bahiagás, mas deixou uma porta aberta ao não descartar a venda das ações que pertencem ao estado. Uma nuance importante que mantém a dúvida.

Sindicato alerta e propõe revogação de lei

Mesmo com todas as declarações públicas desmentindo a privatização, o contrato com o Genial Consórcio, pago em milhões, continua valendo. Quem confirmou essa informação foi Alfredo Santana Santos Júnior, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Química, Petroquímica, Plásticos e Afins da Bahia (Sindiquímica).

Para o sindicato, a chance de privatização é baixa, dadas as falas dos representantes do governo. No entanto, Alfredo alerta para um ponto crucial: o governador pode decidir vender a Bahiagás sozinho, sem precisar da aprovação da Assembleia Legislativa da Bahia.

Diante disso, o Sindiquímica não fica parado. Neste ano, o sindicato pretende apoiar o projeto do deputado estadual Hilton Coelho (PSOL), que busca revogar a Lei Estadual nº 7.029, de 31 de janeiro de 1997. Essa lei é justamente a que autoriza o Poder Executivo a desestatizar a empresa.

Enquanto a bola de cristal não revela o futuro, a Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra), responsável pela Bahiagás, mantém a posição oficial de que “não há definição sobre a realização ou não da privatização”. E assim, a novela continua, com a Bahiagás, uma empresa vital para o estado, esperando um desfecho.

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