O governo estadual anunciou nesta quinta-feira (26) que a produção e comercialização de medicamentos estratégicos para o tratamento de câncer e doenças raras na Bahia deve começar entre o final de 2026 e janeiro de 2027. A iniciativa será conduzida pela BahiaFarma (laboratório farmacêutico público do estado) em uma parceria internacional firmada com a Coreia do Sul.
A cooperação técnica foi oficializada por meio de uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP), envolvendo a BahiaFarma, a empresa brasileira Bionovis S.A. e a sul-coreana Samsung Bioepis Co., Ltda. O acordo foi consolidado durante uma missão de representantes dos governos federal e estadual ao país asiático.
Medicamentos e impacto financeiro no SUS
Inicialmente, o projeto focará na disponibilização de três medicamentos de alto custo, que serão integralmente repassados ao Sistema Único de Saúde (SUS):
Bevacizumabe: Indicado para o tratamento de diversos tipos de câncer e condições oftalmológicas.
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Eculizumabe: Utilizado no tratamento de doenças raras ligadas ao sistema imunológico.
Aflibercepte: Usado principalmente para doenças da retina.
De acordo com o governador Jerônimo Rodrigues, a fabricação local trará um alívio significativo aos cofres da saúde pública. Medicamentos que atualmente custam cerca de R$ 17 mil a caixa poderão ser fornecidos pela BahiaFarma por aproximadamente R$ 11 mil. Para pacientes que demandam duas caixas mensais, isso representa uma economia de R$ 12 mil por paciente ao mês para o SUS.
Etapas de transferência de tecnologia
O processo de fabricação não será imediato, ocorrendo de forma gradual. A meta do governo é que o estado alcance o domínio completo da tecnologia de produção em um prazo de 10 anos. O cronograma de implementação será dividido em três fases principais:
1ª Fase (Importação e Rotulagem): O medicamento é recebido nas embalagens originais, ganha a marca da BahiaFarma e é repassado para comercialização no SUS.
2ª Fase (Embalagem Local): O medicamento chega ao estado a granel, e o processo de envase e embalagem passa a ser realizado fisicamente na Bahia.
3ª Fase (Produção Integral): A fabricação dos produtos passa a ser feita de forma completa dentro das instalações da BahiaFarma.
Próximos passos e expansão
Representantes da Samsung Bioepis têm uma visita programada à Bahia para o mês de abril, com o objetivo de assinar os detalhes finais do acordo. A expectativa do governo é expandir a produção para medicamentos voltados a câncer de fígado e rins, problemas cardíacos e outras doenças raras entre o final de 2027 e o início de 2028.
A reestruturação da BahiaFarma já havia sido sinalizada pela presidente da instituição, Ceuci Nunes, no final do ano passado. Além da parceria sul-coreana, a gestora confirmou que o laboratório iniciará, ainda no segundo semestre de 2026, a produção de comprimidos para o SUS, com destaque para imunossupressores destinados a pacientes transplantados.







