O Carnaval de Salvador, uma das maiores festas do mundo, gera bilhões e movimenta uma estrutura gigantesca. No entanto, em meio a toda essa grandiosidade, uma questão antiga e importante foi levantada novamente: o reconhecimento financeiro para as famílias de Dodô e Osmar, os grandes inventores do trio elétrico e da guitarra baiana.
Armandinho Macedo, um dos artistas mais respeitados da música baiana e filho de Osmar, trouxe à tona o assunto nesta segunda-feira (9). Em conversa com o Bahia Notícias, ele explicou que a família de Dodô, que deu nome ao famoso circuito Barra-Ondina, faz um apelo justo: querem uma porcentagem mínima dos lucros que a festa gera. A ideia é que essas famílias, pilares da folia, também recebam uma fatia do bolo, assim como acontece com outros envolvidos no evento.
Por que as famílias dos criadores não recebem?
A pergunta de Armandinho é direta e poderosa. Ele aponta uma contradição: o nome de Dodô é celebrado por toda a cidade, dá nome a um dos principais circuitos e é sinônimo de Carnaval. Mas, para a família do inventor, esse reconhecimento não se traduz em apoio financeiro.
“Eu tenho dito, falei na frente do prefeito quando a gente passou no Furdunço, que é preciso rever isso porque são porcentagens que todos têm. Cada um, seja a ECAD, seja a prefeitura, tudo tem uma porcentagem. Por que não tem uma porcentagem para as famílias Dodô e Osmar? A família de Dodô vive reclamando, porque o nome de Dodô é famoso, ele é nome de circuito, de tudo mais, e não tem um mínimo de reconhecimento financeiro por isso”, destacou Armandinho, pouco antes de um ensaio de sua banda.
O músico reforça que a proposta não é um benefício especial para os artistas que hoje se apresentam, mas sim um gesto de justiça histórica. Ele mesmo explica que os artistas atuais batalham por seus próprios cachês e não se sentem "beneficiados" pela herança do trio elétrico sem que os criadores sejam reconhecidos.
Uma ideia lançada do trio e um desejo antigo
Armandinho não guardou a ideia só para si. Ele fez questão de compartilhar o pedido em voz alta, do alto do trio elétrico, para que a mensagem chegasse a mais pessoas. A proposta é simples: que uma porcentagem, mesmo que pequena, seja descontada dos ganhos de todos os envolvidos na festa e direcionada aos descendentes de Dodô e Osmar.
“Lancei essa ideia no microfone do trio elétrico. Por que não tem um mínimo de porcentagem para todos que ganham com isso? Por que não uma porcentagem de todos, de trio elétrico, de acordo com o ganho de cada um? Uma porcentagem mínima que seja, mas que, pelo menos, dê uma luz a esses netos, filhos e tudo mais, que vivem do nome do pai, do avô e dessa história. A gente ganha porque trabalhamos muito, e disputamos cachês iguais de porte médio com outros artistas. Não estamos sendo beneficiados”, explicou o guitarrista.
Essa não é uma ideia nova. Segundo Armandinho, o saudoso cantor e compositor Moraes Moreira, ele mesmo um gigante do Carnaval baiano, já falava sobre essa necessidade de reconhecimento. É um apelo que busca encontrar eco entre vereadores, deputados e outros políticos, para que a questão seja formalizada e essas famílias recebam o que lhes é de direito. Afinal, sem Dodô e Osmar, o Carnaval de Salvador, na Bahia, não seria o mesmo.







