Um suplente de vereador de Santana do Ipanema, em Alagoas, se tornou alvo de críticas nas redes sociais depois de adotar uma estratégia incomum para encerrar um debate: bloquear os perfis de quem o contestou publicamente. A situação, registrada nos últimos dias, envolve a repercussão de um vídeo que ele publicou sobre uma morte ocorrida no Hospital Regional Dr. Clodolfo Rodrigues de Melo, unidade pública 100% SUS que atende mais de 300 mil habitantes de 21 municípios alagoanos.
No vídeo, o suplente — que também é advogado — afirmou que a morte de um bebê teria sido causada por suposta demora no atendimento à gestante. A versão, entretanto, foi imediatamente contestada por servidores da unidade, que afirmaram que o bebê já teria chegado sem vida ao hospital. Segundo os funcionários, essa informação teria sido confirmada pela própria paciente.
Nos comentários da publicação, profissionais de saúde classificaram o conteúdo como desinformação e criticaram o fato de o suplente não ter buscado esclarecimentos junto à direção do hospital ou à equipe responsável antes de divulgar o vídeo. Uma servidora chegou a chamar a publicação de "fake news pesada", afirmando que a versão apresentada não correspondia ao que foi vivenciado por quem acompanhou o caso.
Outra funcionária saiu em defesa dos colegas, ressaltando que acusações sem comprovação atingem trabalhadores que atuam com ética e dedicação diariamente. O hospital é referência regional e oferece serviços que vão de obstetrícia e terapia intensiva neonatal a cirurgias e diagnóstico por imagem, segundo dados cadastrais do próprio estabelecimento.
Após a forte reação dos servidores, o advogado passou a bloquear perfis nas redes sociais. O detalhe que mais chamou atenção dos internautas foi o padrão dos bloqueios: os perfis afetados eram, em sua maioria, justamente os de pessoas que apresentaram questionamentos, esclarecimentos ou versões diferentes da narrativa original. Comentários favoráveis à publicação, por outro lado, continuaram visíveis.
A seletividade dos bloqueios gerou uma nova onda de críticas. Para muitos internautas, a atitude evidenciaria falta de disposição para o contraditório, especialmente num caso que envolve acusações graves contra profissionais de saúde e uma instituição pública. "Quem tem convicção do que diz não teme questionamentos", comentou um usuário nas redes.
O episódio acontece num contexto em que o Hospital Regional de Santana do Ipanema já vinha sendo alvo de atenção política na região. Em abril deste ano, vereadores do próprio município quebraram o silêncio para cobrar do governo estadual a contratação de especialistas e a retomada de cirurgias eletivas, apontando um sistema de saúde sobrecarregado que recebe pacientes de diversas regiões do sertão alagoano.
Até o momento, o suplente não se pronunciou publicamente sobre os bloqueios nem apresentou qualquer resposta às contestações feitas pelos servidores do hospital.







