O senador Angelo Coronel (PSD) levantou sérias críticas contra o Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia, afirmando que a vaga de vice-governador, atualmente ocupada por Geraldo Jr. (MDB), está sendo "leiloada" pelos líderes petistas. A declaração foi feita durante uma entrevista à rádio Antena 1 Salvador, nesta sexta-feira (30).
Coronel expressou sua preocupação com a postura do PT em querer dominar a chapa majoritária, pleiteando três das quatro vagas principais. "Querer que Angelo Coronel aceite essa imposição do PT, que em quatro vagas quer ter três... Até me preocupo, pois daqui a pouco meu amigo Geraldinho termina sendo tirado também. Não é nenhuma novidade, pois estão leiloando a vice do MDB. Isso muitas vezes soa até uma falta de respeito", desabafou o senador para os jornalistas Maurício Leiro e Rebeca Menezes, no programa Bahia Notícias no Ar.
De acordo com o senador, a situação de Geraldo Jr. é contraditória: enquanto a cúpula do PT reafirma publicamente a permanência do vice-governador no grupo político, nos bastidores, a conversa é diferente. "Na mídia falam bem do vice-governador e nos escritórios fechados o cargo fica também aí para mudar a componente da vice que é Geraldo Jr", revelou Coronel, destacando a falta de alinhamento entre o discurso público e as articulações internas.
A tensão em torno da composição da chapa majoritária não é nova. Uma reportagem publicada pelo Bahia Notícias na mesma sexta-feira já indicava que, além das três cadeiras consideradas "principais", a vaga de vice-governador, ocupada pelo MDB, e as suplências do Senado (que podem se tornar vagas temporárias, considerando a projeção de reeleição de Lula), estão em jogo. É justamente nesse contexto de disputas que as queixas de aliados de outros partidos começaram a surgir, inicialmente de forma discreta.
Um interlocutor, que preferiu não ser identificado, confidenciou que "não há alinhamento automático" dentro da base aliada. Segundo a fonte, as informações sobre a composição da chapa chegam "truncadas" e muitas vezes pela imprensa, sem "conversa olho no olho". Esse cenário se desenrola às vésperas do prazo estabelecido pelo próprio governador Jerônimo Rodrigues, que havia definido o mês de março como limite para definir a chapa de outubro, sem que houvesse, até o momento, um encontro prioritário da base para tratar do pleito.







