A política baiana vive um momento de efervescência, e a recente mudança do senador Angelo Coronel (PSD) para o campo da oposição ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) agitou os bastidores. No entanto, o que muitos esperariam como um efeito dominó de novas saídas e “contragolpes” no cenário político, parece não assustar os aliados de Jerônimo.
Deputados federais e importantes líderes ligados ao governo estadual acreditam que a migração de Coronel já seria, na verdade, uma resposta, ou um “contra-ataque”, orquestrado pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União). Para eles, não há um novo movimento de retaliação no horizonte que possa desfalcar o grupo governista.
Reação do PSD e a visão dos petistas
Angelo Coronel confirmou sua saída do PSD no último final de semana, durante uma entrevista ao programa 'Frequência News', da Boa FM 96,1. Ele afirmou que ele e outros nomes, incluindo seus filhos Diego e Angelo Filho, além de João de Furão, Thiago Gileno e Luizinho Sobral, deixaram o partido após ele ter sido “limado da chapa” governista.
A resposta do senador Otto Alencar, presidente estadual do PSD, veio quase que de imediato. Alencar se manifestou, garantindo que nunca tomou a iniciativa de tirar Coronel do partido. Ele expressou que só se pronunciaria de forma definitiva sobre a saída de Coronel quando ela fosse “concretizada”, mas deixou claro que ofereceu a oportunidade para que o senador buscasse uma reeleição de forma avulsa, mesmo com o PSD aliado ao PT baiano.
“É talvez o momento mais difícil da minha vida”, desabafou Otto Alencar.
Nos bastidores petistas, a forma como Coronel se desligou do PSD também é vista como um fator que pode favorecer o governo. Fontes consultadas pela reportagem indicam que a tentativa de Coronel de negociar com Gilberto Kassab (presidente nacional do PSD) “pelas costas de Otto” irritou profundamente o senador Alencar. Essa situação, na avaliação de lideranças petistas, transformou o episódio em uma disputa pessoal e direta, o que, ironicamente, “nos ajuda muito”, segundo um interlocutor.
Essa disputa pessoal foi evidenciada pela rápida movimentação de Otto Alencar, que reuniu as bancadas federais e estaduais do PSD logo após o anúncio de rompimento. Em vídeo, Ivana Bastos, presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), assegurou que toda a bancada estadual segue unida com Otto, Jerônimo e Lula. O deputado federal Sérgio Brito também reforçou o apoio a Otto, descrevendo a legenda como um “partido unido, forte e coeso”.
Governo confiante e sem grandes desfalques
Apesar da saída de Coronel, a cúpula do governo Jerônimo Rodrigues mostra confiança. Interlocutores oposicionistas, que acompanham de perto os movimentos, também não veem um novo “contragolpe” se formando. A avaliação é que o governo tem sido eficiente em apaziguar e manter unidos alguns grupos internos importantes, como o Avante, liderado pelo ex-deputado federal Ronaldo Carletto, e partes do PP.
Outro ponto considerado positivo pelos aliados de Jerônimo foi a articulação para trazer o PDT para o grupo. Nos bastidores, fala-se sobre a possível adesão de alguma figura ligada ao grupo de ACM Neto, mas isso não estaria no radar do governo. Um dos nomes mais citados era o do prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo (União). Contudo, informações recentes de bastidores indicam que, apesar de não negar abertamente um movimento, Zé Ronaldo não deve selar apoio à reeleição do governador.
Em resumo, enquanto a oposição comemora a chegada de Angelo Coronel, os aliados de Jerônimo Rodrigues preferem ver o copo meio cheio, apostando na solidez de seu grupo e na capacidade de evitar novas perdas significativas no cenário político da Bahia.







