O ano de 2025 foi cheio de surpresas e muita movimentação na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). Desde a ascensão histórica de uma mulher à presidência até a prisão de um deputado, passando por intensos debates sobre empréstimos e a ‘volta’ da oposição, o Legislativo baiano não teve um dia de calmaria.
Pensando nesse ano agitado, o portal ChicoSabeTudo preparou um resumo dos principais acontecimentos que marcaram a AL-BA, mostrando como a política baiana se reinventou e desafiou as expectativas.
Ivana Bastos faz história e assume presidência
Um dos momentos mais marcantes do ano foi a ascensão da deputada Ivana Bastos (PSD) à presidência da AL-BA. Ela se tornou a primeira mulher a comandar a Assembleia em impressionantes 190 anos de história. A posse definitiva de Ivana aconteceu em 28 de fevereiro, depois de um período interino que já marcava seu nome na história.
Essa mudança no comando foi bem recebida pelos colegas, tanto da base governista quanto da oposição, que elogiaram a postura de Ivana. Ela, inclusive, não ocupou o gabinete oficial da presidência nas duas semanas em que esteve no cargo de forma interina, uma atitude que chamou a atenção dos parlamentares.
A queda de Adolfo Menezes e a batalha pela 1ª Vice-Presidência
A chegada de Ivana Bastos à presidência da AL-BA aconteceu depois de uma reviravolta jurídica envolvendo o então presidente, Adolfo Menezes (PSD). O ano começou com muita articulação política para a vaga de 1º vice-presidente, já que havia dúvidas sobre a possibilidade de Adolfo ser reeleito para o comando da Casa.
No início, o PT queria indicar Rosemberg Pinto (PT), mas a oposição não gostou da ideia de ter um parlamentar do mesmo partido do governador, Jerônimo Rodrigues (PT), no comando do Legislativo. Em seguida, Angelo Filho (PSD), filho do senador Angelo Coronel (PSD), também se lançou na disputa, com o objetivo de fortalecer a posição de sua família na chapa governista. Porém, em um acordo político intermediado pelo governador e pelo senador Otto Alencar (PSD), tanto Rosemberg quanto Angelo Filho retiraram suas candidaturas, abrindo caminho para Ivana Bastos.
Mesmo com Adolfo Menezes sendo reeleito em 3 de fevereiro com 61 dos 62 votos, o Supremo Tribunal Federal (STF) agiu rápido. Uma semana depois, o ministro Gilmar Mendes afastou Adolfo da presidência. A decisão foi tomada após uma ação movida por Hilton Coelho (PSOL) e se baseou no entendimento de que não é permitido reconduzir ilimitadamente integrantes da mesa diretora dos Legislativos estaduais.
Com a efetivação de Ivana Bastos, a vaga de 1ª vice-presidência ficou aberta novamente e gerou um novo embate interno no PT. A deputada Fátima Nunes foi a indicada do partido, mas Junior Muniz (PT) também tinha apoio de parlamentares da oposição. No final, Junior Muniz recuou, e Fátima Nunes foi eleita em 15 de abril, com 41 votos.
Prisão de Binho Galinha choca a Assembleia
Após um período de recesso, a AL-BA foi surpreendida com a prisão do deputado estadual Binho Galinha (PRD). Ele é apontado como líder de uma milícia em Feira de Santana, conforme investigações do Ministério Público da Bahia.
A notícia criou um clima de tensão na Assembleia. Binho Galinha se entregou em 3 de outubro, dois dias depois de ter sido alvo da Operação Estado Anômico, que prendeu sua esposa e filho. A decisão de manter a prisão do parlamentar precisava ser avaliada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas o colegiado se declarou incapaz de julgar o caso, repassando a decisão para o plenário.
Em uma sessão extraordinária, convocada por Ivana Bastos, os deputados votaram de forma secreta e decidiram manter a prisão de Binho Galinha até o fim do processo, uma decisão que pegou muitos de surpresa.
O ‘retorno’ da oposição e a briga pelos empréstimos
A oposição na AL-BA, que nos últimos anos vinha sendo criticada por sua pouca atuação, voltou a ganhar força. A primeira grande mudança foi a saída do deputado Nelson Leal (PP) da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) para coordenar a campanha de ACM Neto (União).
Essa movimentação abriu caminho para outras migrações, como a do deputado Cafu Barreto (PSD), que também declarou apoio ao ex-prefeito de Salvador para a disputa do governo em 2026.
Além de captar novos membros, a oposição intensificou as obstruções nas sessões da AL-BA, principalmente por causa dos muitos pedidos de empréstimo do governo Jerônimo. Em 2025, o governo solicitou cerca de R$ 26,7 bilhões em 23 pedidos diferentes. A oposição criticou a falta de transparência e o regime de urgência com que esses pedidos chegavam à Casa, o que, segundo eles, não permitia um debate aprofundado sobre o destino dos recursos.
PCCV e a invasão do plenário
Ainda no primeiro semestre, a AL-BA enfrentou pressão para votar o Plano de Carreiras, Cargos e Vencimentos (PCCV) do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). Servidores do TJ-BA, insatisfeitos, iniciaram uma greve geral em 7 de maio e, na semana seguinte, realizaram uma mobilização em frente à Assembleia.
A situação escalou em 27 de maio, quando manifestantes invadiram o plenário da AL-BA, forçando a presidente Ivana Bastos a cancelar as discussões. O grupo se recusou a sair e foi retirado pela polícia legislativa. Em junho, a presidente do TJ-BA, Cynthia Maria Pina Resende, pediu a retirada do PCCV, alegando que o projeto era inviável devido à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Indicações ao TCE-BA geram controvérsia
Para fechar o ano, as indicações dos deputados federais Josias Gomes (PT) e Otto Alencar Filho (PSD) para vagas de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA) causaram grande debate. Otto Filho teve uma aprovação tranquila, sendo nomeado rapidamente.
Já a indicação de Josias Gomes foi mais complicada, enfrentando um emaranhado jurídico. Uma ação no STF, movida pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais (Audicon), defendia que a vaga deveria ser de um auditor fiscal. O ministro Dias Toffoli chegou a suspender as indicações, mas depois revogou a liminar. Mesmo com a oposição do deputado Luciano Araújo (Solidariedade), que teve sua candidatura vetada pela AL-BA, Josias foi sabatinado e aprovado. No entanto, o TJ-BA, a pedido da Audicon, suspendeu o processo, antes que uma nova decisão de Toffoli, no apagar das luzes do ano, liberasse a indicação do governador.
O ano de 2025 na AL-BA, sem dúvida, ficará marcado por essas e outras histórias de uma política baiana sempre em efervescência.







