O Instituto Médico Legal (IML) de Sergipe acaba de incorporar ao seu arsenal tecnológico um dos equipamentos mais avançados da perícia criminal no país. Trata-se do colposcópio modelo Safe Ultra, adquirido pelo IML sergipano para ampliar a precisão das perícias criminais. O aparelho possui lentes micro e macro, tela 4K e inteligência artificial, sendo um dos apenas três existentes em todo o território nacional — com os outros dois localizados em Natal (RN) e São Paulo (SP).
O objetivo da aquisição é aumentar a precisão na coleta de vestígios em casos de estupro, lesão corporal e outros crimes, permitindo a visualização de detalhes imperceptíveis a olho nu e agilizando a produção de laudos periciais. O equipamento, de fabricação turca, representa um salto significativo para a polícia científica sergipana, que nos últimos anos vem passando por um processo de modernização — o IML completou seu primeiro ano na nova sede, em Nossa Senhora do Socorro, na Região Metropolitana de Aracaju, tendo realizado quase 10 mil exames periciais em 2023.
De acordo com o instrutor Rodrigo Policiano, o colposcópio é equipado com diversas luzes fluorescentes e filtros que, em combinação, eliminam reflexos e revelam lesões que estão abaixo da superfície da pele ou em tecidos. O sistema também é capaz de identificar fluidos corporais, como sangue e saliva, em superfícies como roupas — algo demonstrado durante os primeiros treinamentos realizados com o aparelho.
Outro diferencial é a automação na produção de documentos. O colposcópio integra um sistema que produz o laudo pericial de forma automatizada: o médico legista seleciona as imagens, insere suas observações e o sistema gera um documento completo com todas as informações técnicas utilizadas, como tipo de filtro, luz e coordenadas. O laudo pode ser impresso diretamente no equipamento, enviado por e-mail ou salvo em pendrive, agilizando significativamente o fluxo de trabalho da perícia.
A inteligência artificial embarcada vai além da captura de imagens. Segundo o instrutor Rodrigo Policiano, ao acionar o modo de busca por lesões, o sistema aplica automaticamente as combinações ideais de luz e filtros para cada tipo de vestígio, capturando imagens em sequência para que o perito escolha a mais adequada ao laudo.
O médico legista Marcelo Salvador destacou a importância do aparelho especialmente no contexto de violência doméstica, relatando um caso recente em que uma vítima afirmou ter sido agredida com um capacete pelo namorado, mas a lesão não era visível a olho nu. Com o colposcópio, a lesão foi identificada com nitidez e pôde ser anexada ao laudo como prova concreta — o que, sem o equipamento, poderia ter resultado em um laudo inconclusivo favorecendo o agressor.
O equipamento, de fabricação turca, já teve sua eficácia comprovada em casos reais durante treinamentos, com dois casos solucionados rapidamente, incluindo um crime de dois anos atrás. A tendência de modernização da perícia com colposcópios avança em outros estados da região: em Pernambuco, a Polícia Científica foi contemplada com 12 novos colposcópios digitais para o IML, adquiridos com recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública voltados ao enfrentamento da violência contra a mulher.
A logística de importação, com frete e proteção especial para o transporte, encarece o produto, mas o investimento é visto como fundamental para a modernização da perícia e a garantia de justiça, principalmente em casos de violência contra a mulher, onde a prova técnica é essencial. Para o instrutor Rodrigo Policiano, o balanço é direto: "É um equipamento que vai ajudar muito aqui a polícia científica."







