Publicidade
Publicidade
Anúncio publicitário
Polícia

Um dos três no Brasil: IML de Sergipe passa a contar com colposcópio com IA e 4K para perícias criminais

Aparelho importado da Turquia revela lesões invisíveis a olho nu, gera laudos automaticamente e já ajudou a solucionar dois casos durante os primeiros treinamentos realizados no estado.

Redação ChicoSabeTudo
25 de julho, 2026 · 06:00 3 min de leitura
Colposcópio Safe Ultra adquirido pelo IML de Sergipe para perícias criminais com tecnologia 4K e inteligência artificial
Colposcópio Safe Ultra adquirido pelo IML de Sergipe para perícias criminais com tecnologia 4K e inteligência artificial

O Instituto Médico Legal (IML) de Sergipe acaba de incorporar ao seu arsenal tecnológico um dos equipamentos mais avançados da perícia criminal no país. Trata-se do colposcópio modelo Safe Ultra, adquirido pelo IML sergipano para ampliar a precisão das perícias criminais. O aparelho possui lentes micro e macro, tela 4K e inteligência artificial, sendo um dos apenas três existentes em todo o território nacional — com os outros dois localizados em Natal (RN) e São Paulo (SP).

O objetivo da aquisição é aumentar a precisão na coleta de vestígios em casos de estupro, lesão corporal e outros crimes, permitindo a visualização de detalhes imperceptíveis a olho nu e agilizando a produção de laudos periciais. O equipamento, de fabricação turca, representa um salto significativo para a polícia científica sergipana, que nos últimos anos vem passando por um processo de modernização — o IML completou seu primeiro ano na nova sede, em Nossa Senhora do Socorro, na Região Metropolitana de Aracaju, tendo realizado quase 10 mil exames periciais em 2023.

Publicidade

De acordo com o instrutor Rodrigo Policiano, o colposcópio é equipado com diversas luzes fluorescentes e filtros que, em combinação, eliminam reflexos e revelam lesões que estão abaixo da superfície da pele ou em tecidos. O sistema também é capaz de identificar fluidos corporais, como sangue e saliva, em superfícies como roupas — algo demonstrado durante os primeiros treinamentos realizados com o aparelho.

Outro diferencial é a automação na produção de documentos. O colposcópio integra um sistema que produz o laudo pericial de forma automatizada: o médico legista seleciona as imagens, insere suas observações e o sistema gera um documento completo com todas as informações técnicas utilizadas, como tipo de filtro, luz e coordenadas. O laudo pode ser impresso diretamente no equipamento, enviado por e-mail ou salvo em pendrive, agilizando significativamente o fluxo de trabalho da perícia.

A inteligência artificial embarcada vai além da captura de imagens. Segundo o instrutor Rodrigo Policiano, ao acionar o modo de busca por lesões, o sistema aplica automaticamente as combinações ideais de luz e filtros para cada tipo de vestígio, capturando imagens em sequência para que o perito escolha a mais adequada ao laudo.

Publicidade

O médico legista Marcelo Salvador destacou a importância do aparelho especialmente no contexto de violência doméstica, relatando um caso recente em que uma vítima afirmou ter sido agredida com um capacete pelo namorado, mas a lesão não era visível a olho nu. Com o colposcópio, a lesão foi identificada com nitidez e pôde ser anexada ao laudo como prova concreta — o que, sem o equipamento, poderia ter resultado em um laudo inconclusivo favorecendo o agressor.

O equipamento, de fabricação turca, já teve sua eficácia comprovada em casos reais durante treinamentos, com dois casos solucionados rapidamente, incluindo um crime de dois anos atrás. A tendência de modernização da perícia com colposcópios avança em outros estados da região: em Pernambuco, a Polícia Científica foi contemplada com 12 novos colposcópios digitais para o IML, adquiridos com recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública voltados ao enfrentamento da violência contra a mulher.

A logística de importação, com frete e proteção especial para o transporte, encarece o produto, mas o investimento é visto como fundamental para a modernização da perícia e a garantia de justiça, principalmente em casos de violência contra a mulher, onde a prova técnica é essencial. Para o instrutor Rodrigo Policiano, o balanço é direto: "É um equipamento que vai ajudar muito aqui a polícia científica."

Publicidade

Leia também