Um esquema inusitado de tráfico de drogas foi desbaratado na noite de terça-feira (2) na orla da Barra, em Salvador. Dois homens e uma mulher foram detidos após a polícia descobrir que um carrinho de venda de queijo coalho escondia cocaína, maconha, crack e uma pistola — tudo misturado ao equipamento usado para comercializar o alimento típico baiano.
Segundo informações divulgadas pela polícia, o grupo operava na Avenida Oceânica, trecho que concentra moradores, turistas e frequentadores da praia diariamente. O disfarce do carrinho de queijo permitia ao trio se misturar aos demais vendedores ambulantes da região sem levantar suspeitas imediatas.
Durante a abordagem policial, os dois homens foram presos em flagrante no local. A mulher conseguiu escapar num primeiro momento, mas foi localizada e detida pouco depois pelas equipes. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.
Todo o material apreendido — as drogas, a arma de fogo e os demais objetos — foi encaminhado a uma delegacia da capital baiana, onde a ocorrência foi registrada. Na unidade policial, um dos homens acabou liberado. A mulher e o outro homem permaneceram à disposição da Justiça.
A Barra é um dos cartões-postais de Salvador, com grande circulação de turistas vindos de diversas partes do Brasil e do exterior. A região já havia sido alvo de outros casos envolvendo vendedores ambulantes: em março deste ano, uma turista gaúcha registrou boletim de ocorrência após ser cobrada em mais de R$ 4 mil pela compra de dois queijos coalho no Porto da Barra — um episódio que também chamou atenção para a necessidade de mais fiscalização na orla.
O cenário de tráfico de drogas em Salvador segue na mira das autoridades. Em maio, a Polícia Civil da Bahia realizou a Operação Naufragium, que resultou em 13 prisões ligadas a um esquema que movimentava cerca de R$ 500 mil por semana e abastecia consumidores de classe média e alta na capital. A variedade de estratégias usadas pelos traficantes — de grupos sofisticados a disfarces simples como o de vendedor ambulante — indica a amplitude do problema enfrentado pelas forças de segurança no estado.
No caso do carrinho de queijo coalho, a polícia segue investigando a extensão da atuação do grupo na região da Barra e se há outros envolvidos na rede.







