A Polícia Federal deflagrou uma operação para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes digitais com o uso de um site falso que imitava o portal oficial do governo federal, o Gov.br. O esquema prometia às vítimas um suposto saque do PIS — benefício que, nessa modalidade, simplesmente não existe.
Segundo informações divulgadas pelo Canal 38, que reportou a ação, os investigados reproduziam a aparência do portal governamental para enganar trabalhadores brasileiros. A fraude se aproveitava da expectativa de muitos cidadãos em relação ao abono salarial e ao PIS/PASEP para atrair vítimas desavisadas.
O funcionamento do golpe seguia um roteiro bem definido. A armadilha começava com o envio de mensagens que direcionavam a vítima para um site que simulava o portal Gov.br, onde era solicitado que a pessoa inserisse dados pessoais, como o CPF, para realizar uma consulta de valores do inexistente programa. Após fornecer as informações, o usuário era levado a acreditar que tinha um valor a receber.
Na sequência, entrava em cena a cobrança. O esquema exigia o pagamento de uma taxa chamada de "imposto de saque", com o valor sendo solicitado via Pix ou cartão — o que dificultava a identificação dos criminosos. O dinheiro pago nunca retornava às vítimas.
Esse tipo de fraude tem se tornado uma das mais comuns no Brasil. O golpe do falso saque do PIS/PASEP se tornou o mais aplicado entre os benefícios sociais em 2025, com criminosos utilizando mensagens falsas e links maliciosos para enganar trabalhadores que aguardam o abono salarial.
A sofisticação dos golpistas vai além da cópia visual do site. A fraude utiliza vídeos manipulados, criados com inteligência artificial, que imitam reportagens de veículos confiáveis para dar credibilidade à farsa. Em alguns casos, golpistas usam informações de vazamentos anteriores para personalizar a fraude, exibindo dados reais das vítimas, como nome e CPF, o que aumenta a confiança no esquema.
Os riscos para quem cai no golpe são graves e duradouros. Ao inserir informações pessoais em páginas fraudulentas, a vítima expõe dados sensíveis como CPF, dados bancários e senhas — e com essas informações em mãos, criminosos conseguem aplicar outros tipos de fraudes, incluindo roubo de identidade, abertura de contas em bancos e solicitação de empréstimos.
O governo federal já emitiu alertas sobre esse tipo de armadilha. A orientação oficial é clara: "Sites verdadeiros terminam em gov.br; todo o resto é golpe." Além disso, o governo orienta que os usuários busquem serviços apenas nos canais oficiais, alertando que links enviados por mensagens podem conter golpes de phishing.
Para quem desconfiar que foi vítima desse tipo de fraude, as autoridades recomendam agir com rapidez: entrar em contato com o banco para bloquear transações suspeitas, alterar senhas e registrar boletim de ocorrência. Denúncias sobre golpes que usem indevidamente o nome de órgãos federais podem ser feitas pelo portal Fala.BR, disponível em falabr.cgu.gov.br.







