O jovem Anthonny Kauê Mello de Santana, de 20 anos, morador de São Bento do Una, no Agreste de Pernambuco, morreu após complicações causadas por intoxicação por metanol. Ele estava internado em um hospital de Salgueiro, no Sertão, onde o óbito foi confirmado na quarta-feira (19), segundo a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) e a Secretaria de Defesa Social (SDS). A morte elevou para cinco o número de óbitos por ingestão de metanol no estado em 2025, todos associados ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com a substância tóxica.
Quem era o jovem e como foi a evolução do caso
Segundo familiares, Anthonny Kauê começou a apresentar sintomas graves no início de novembro, após consumir uma bebida alcoólica em São Bento do Una. Ele recebeu atendimento inicial no Hospital Antônio José Siqueira, apresentou melhora e seguiu viagem para Paulo Afonso, na Bahia. Ao voltar a passar mal, foi atendido novamente em Paulo Afonso e, devido ao agravamento do quadro, acabou sendo transferido para Salgueiro, onde permaneceu internado em estado crítico até falecer.
A confirmação de que se tratava de intoxicação por metanol veio por meio de laudo do Laboratório de Toxicologia da Polícia Científica de Pernambuco, emitido em 18 de novembro. O documento apontou a presença da substância no organismo do jovem, relacionando o quadro clínico à ingestão de bebida adulterada.
Situação em Pernambuco: 5 mortes e mais de 100 notificações
Com a morte de Anthonny, Pernambuco passou a contabilizar cinco óbitos confirmados por intoxicação por metanol em 2025, de acordo com boletins oficiais da SES-PE. O estado soma 113 notificações de suspeita de intoxicação ao longo do ano, sendo 108 de moradores de Pernambuco e cinco de outros estados, como São Paulo, Paraíba, Alagoas e Bahia.
Segundo balanços divulgados pela secretaria, oito casos foram confirmados desde o início da série de registros, dos quais cinco evoluíram para morte e três deixaram sequelas em sobreviventes. Outros casos seguem em investigação, enquanto a maior parte das notificações já foi descartada após exames laboratoriais.
Os primeiros casos suspeitos em Pernambuco começaram a ser registrados no fim de setembro. Em outubro, três homens de Lajedo, no Agreste, tiveram intoxicação após consumo de bebida destilada adulterada; dois morreram e um sobreviveu com sequelas oculares. Laudos periciais indicaram concentrações de metanol centenas de vezes acima do limite permitido em amostras coletadas das bebidas.
Ainda em outubro, duas irmãs em Salgueiro também foram identificadas com intoxicação por metanol após ingerirem uísque adulterado. Uma delas, de 25 anos, morreu; a outra, de 28, recebeu tratamento com antídoto específico (fomepizol) e alta hospitalar dias depois. Esses casos ajudaram a consolidar a linha de investigação das autoridades, que relacionam os episódios ao comércio irregular de bebidas destiladas falsificadas.
Em novembro, além da morte de Anthonny, o estado confirmou novas vítimas ligadas ao consumo de bebidas em municípios como Petrolina e São Bento do Una. Boletins oficiais indicam que, desde o início da onda de casos, Pernambuco registra oito vítimas confirmadas por metanol, das quais cinco morreram e três sobreviveram com ou sem sequelas.
Investigações e operações contra bebidas adulteradas
A Polícia Civil de Pernambuco, por meio de delegacias em cidades como São Bento do Una, Lajedo, Petrolina e Salgueiro, conduz inquéritos para rastrear a origem das bebidas adulteradas e identificar responsáveis pela fabricação, distribuição e venda dos produtos. A Secretaria de Defesa Social informou que operações conjuntas em diferentes municípios já resultaram na apreensão de dezenas de milhares de garrafas e em prisões de suspeitos ligados ao esquema.
As autoridades de saúde e segurança reforçam o alerta para que a população evite o consumo de bebidas de origem desconhecida, sem nota fiscal, vendidas a granel ou com preço muito abaixo do praticado no mercado. A recomendação é que o consumidor verifique rótulo, lacre, registro oficial e adquira apenas em estabelecimentos regulares.
Contexto nacional da intoxicação por metanol
Os casos em Pernambuco fazem parte de um cenário mais amplo de intoxicações por metanol no país. Levantamentos citados por órgãos de saúde apontam mais de 60 vítimas em diferentes estados, com ao menos 16 mortes confirmadas, concentradas principalmente em São Paulo, Pernambuco e Paraná.
O metanol é um álcool utilizado na indústria e não é próprio para consumo humano. Quando ingerido, pode provocar desde sintomas como náuseas, tontura e visão turva até quadros graves, com risco de cegueira permanente, falência de órgãos e morte. Por esse motivo, a presença da substância em bebidas é proibida pela legislação sanitária, e sua utilização em produtos destinados à ingestão configura crime.
Situação atual do caso e alerta às autoridades
Com a confirmação da intoxicação por metanol no laudo pericial e o registro da morte em Salgueiro, o caso de Anthonny Kauê Mello de Santana passa a integrar o conjunto de óbitos oficialmente reconhecidos pela Secretaria de Saúde de Pernambuco em 2025, em meio a 113 notificações relacionadas à substância no estado. As investigações sobre a origem da bebida ingerida pelo jovem permanecem em andamento, enquanto as autoridades de saúde e segurança mantêm o monitoramento dos casos e realizam ações de fiscalização contra bebidas alcoólicas adulteradas em Pernambuco.







