Uma idosa de 62 anos precisou ir até a delegacia de Euclides da Cunha para denunciar a própria neta depois de suportar uma série de agressões dentro de casa. O caso, registrado no distrito de Caimbé, na zona rural do município, resultou na apreensão de uma adolescente de 16 anos acusada de violência física, ameaças e intimidação psicológica contra a avó.
Segundo informações divulgadas pela fonte original, a idosa relatou aos policiais que as agressões eram frequentes. Em um dos episódios, a jovem teria usado uma faca para ameaçá-la. Além da violência física, a adolescente destruiu o celular da avó e chegou a impedi-la de deixar a residência — configurando uma situação de cárcere privado dentro do próprio lar.
Durante o atendimento na delegacia, os agentes constataram marcas visíveis de violência pelo corpo da mulher. Ela foi encaminhada ao Departamento de Polícia Técnica, onde os exames confirmaram a presença de hematomas compatíveis com agressões.
Com as informações em mãos, policiais civis iniciaram buscas pela adolescente. Ela foi localizada em uma festa no povoado de Jurema. Conduzida à delegacia, a jovem admitiu ter agredido a avó. Após a apreensão em flagrante, a Polícia Civil solicitou medidas protetivas à Justiça, incluindo o afastamento da adolescente da convivência com a idosa e a proibição de qualquer contato entre as duas.
O caso chama atenção por ser praticado dentro da própria família — padrão que os dados nacionais confirmam. Segundo estudos da UFF e da UERJ, em cerca de 60% dos casos de violência contra idosos os agressores são familiares, com destaque para filhos e netos. Só em 2024, mais de 179 mil denúncias de violência contra pessoas idosas foram registradas pelo Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos.
A legislação brasileira prevê proteção específica para essa parcela da população. O Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003) assegura direitos fundamentais como acesso à saúde, dignidade, liberdade e convivência familiar. Além disso, a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), originalmente criada para combater a violência contra a mulher, também se aplica às mulheres idosas vítimas de violência doméstica.
Por se tratar de menor de idade, a adolescente está sujeita a medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente. O caso segue sob acompanhamento da Polícia Civil da Bahia, e as medidas protetivas solicitadas aguardam apreciação da Justiça.







