A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), desarticulou uma célula neonazista suspeita de planejar ataques a bomba contra o Palácio do Planalto, sede do governo federal, com o objetivo de matar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A chamada Operação Rede Interrompida também mirava o Supremo Tribunal Federal (STF) e o local do debate do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Deflagrada em 4 de agosto, a ação cumpriu oito mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados — Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Os investigados têm entre 19 e 31 anos e não foram presos nesta fase: a polícia optou por concentrar esforços na coleta de provas digitais para mapear toda a estrutura do grupo.
Segundo a investigação, os suspeitos se articulavam exclusivamente pela internet, em dois grupos no Telegram, e nunca haviam se encontrado pessoalmente. O maior deles reunia mais de 600 pessoas e usava uma foto de Adolf Hitler como imagem de perfil. Quem demonstrava maior radicalização era convidado a entrar em um grupo restrito, com 46 integrantes, onde circulavam instruções operacionais.
De acordo com o Ciberlab, laboratório de crimes cibernéticos do MJSP que monitorou as conversas, os suspeitos trocavam manuais de fabricação de explosivos e coquetéis molotov, calculavam quantidades de material e estimavam custos dos ataques. Também compartilhavam plantas arquitetônicas, modelos tridimensionais e mapas do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional, do STF e de outros prédios do centro de Brasília.
O delegado Maurílio Coelho, coordenador de Inteligência da PCDF, afirmou que os suspeitos chegaram a discutir rotas de entrada e saída a partir da planta do Palácio do Planalto. "A gente acredita que eles levariam [o plano] à frente. E a nossa teoria aqui é que a gente não vai pagar para ver", disse o delegado.
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, classificou o caso como grave e disse que episódios semelhantes não são isolados. Os investigados devem responder por associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista, além de incitação ao crime. A apuração começou em junho e segue em andamento para análise dos celulares e computadores apreendidos.







