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Parceiro do crime? Macaco era usado por traficantes para cometer assaltos

Macaco-prego mantido por traficantes é resgatado por policiais do 41º BPM após perseguição a suspeitos de assaltos no bairro de Colégio, no Rio.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
17 de novembro, 2025 · 11:50 3 min de leitura
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Um macaco-prego foi resgatado por policiais militares do 41º BPM (Irajá) após uma perseguição a suspeitos de assaltos no bairro de Colégio, na Zona Norte do Rio de Janeiro, na manhã de domingo (16). O animal, que segundo a Polícia Militar era exibido como forma de ostentação por traficantes da região, foi encontrado com ferimentos leves sob a motocicleta utilizada pelos suspeitos durante a tentativa de fuga.

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De acordo com informações da corporação, equipes do programa Bairro Presente Irajá patrulhavam a Rua Fernandes Gusmão quando identificaram dois indivíduos em atitude suspeita, apontados como responsáveis por uma série de roubos nas proximidades. Ao perceberem a aproximação da viatura, os ocupantes da moto fugiram e acabaram colidindo com o veículo policial.

Após o impacto, um dos suspeitos conseguiu escapar. O outro envolvido, um adolescente, sofreu ferimentos leves e foi encaminhado, sob custódia, para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região. A motocicleta utilizada pela dupla tinha registro de roubo e foi apreendida. O caso foi registrado na 27ª Delegacia de Polícia (Vicente de Carvalho), que ficará responsável pela investigação dos crimes patrimoniais e das circunstâncias do uso do animal.

Durante o isolamento da área para perícia, os militares localizaram o macaco-prego escondido sob a moto danificada. O animal também apresentava escoriações, compatíveis com a queda, e recebeu os primeiros cuidados ainda no local. Agentes do Comando de Polícia Ambiental (CPAM) foram acionados para realizar o resgate especializado e encaminhar o primata para avaliação veterinária e posterior destinação adequada, conforme as normas ambientais vigentes.

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Segundo relatos de policiais e informações divulgadas por veículos de imprensa, o macaco era mantido em uma comunidade da região do Para-Pedro e seria utilizado como símbolo de status por traficantes que atuam na área, prática já observada em outros contextos de criminalidade urbana no Rio de Janeiro. O animal era exibido por criminosos e circulava com suspeitos armados, o que, além de configurar possível crime ambiental, o expunha a situações de risco constante.

O uso de animais silvestres em cativeiro, especialmente quando associados a atividades criminosas, é alvo de atenção recorrente de órgãos ambientais e de segurança pública. A legislação brasileira proíbe a captura, manutenção e comércio de fauna silvestre sem autorização, prevendo sanções administrativas e penais. Além disso, especialistas alertam que primatas como o macaco-prego, quando retirados da natureza, costumam sofrer maus-tratos, estresse e podem se tornar agressivos ao atingir a maturidade, o que aumenta o risco tanto para o animal quanto para pessoas ao redor.

Nos últimos anos, casos envolvendo macacos-prego em operações policiais no Rio têm ganhado repercussão, evidenciando a relação entre o tráfico de animais silvestres e outras formas de criminalidade. Em outubro deste ano, por exemplo, um macaco-prego usando fraldas foi fotografado no pescoço de um policial durante uma megaoperação em complexos de favelas da cidade, episódio que reacendeu o debate sobre a origem desses animais e o impacto do comércio ilegal de fauna nas áreas de conflito urbano.

No episódio mais recente, em Colégio, o macaco-prego resgatado pelo 41º BPM permanece sob responsabilidade de órgãos ambientais, passando por avaliação médica e procedimentos para eventual reabilitação. A motocicleta roubada foi recolhida, o adolescente apreendido segue à disposição da Justiça, e as investigações sobre os assaltos e sobre a posse irregular do animal continuam na 27ª DP, enquanto o policiamento foi reforçado na região onde ocorreram as abordagens.

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