O ortopedista e traumatologista Alexandre El-Sarli, de 49 anos, preso em flagrante na última terça-feira (7) por suspeita de importunação sexual contra uma paciente em Salvador, foi colocado em liberdade provisória pela Justiça da Bahia. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada na quinta-feira (9), pela 3ª Vara das Garantias de Salvador.
Segundo o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), o médico responderá ao processo em liberdade, mediante cumprimento de medidas cautelares alternativas à prisão. As restrições impostas não foram detalhadas publicamente.
A prisão ocorreu durante um plantão na Unidade de Emergência de Pirajá, bairro de Salvador, após uma jovem de 18 anos acionar a Polícia Militar e relatar ter sofrido investidas de cunho sexual durante o atendimento. Ela havia retornado à unidade para acompanhamento de uma fratura em um dos dedos da mão e foi atendida pelo mesmo médico de consultas anteriores.
De acordo com o relato da paciente à polícia, o ortopedista teria trancado a porta do consultório, pedido que ela tirasse parte da roupa sob a justificativa de investigar uma possível escoliose, e praticado atos de cunho sexual contra ela sem consentimento. Após deixar o consultório, a jovem procurou imediatamente os policiais militares que estavam na região. El-Sarli foi encaminhado à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), onde foi autuado em flagrante.
Em depoimento à polícia, o médico negou as acusações. Segundo a delegada responsável pelo caso, ele afirmou ter realizado um procedimento de rotina e disse ter ficado surpreso com a reação da paciente. A investigação segue em andamento pela Polícia Civil.
Segundo apuração do portal A Tarde, a delegada Débora Chabi, responsável pelo caso, confirmou que El-Sarli já havia sido alvo de outra denúncia pelo mesmo crime em 2021, feita por uma paciente diferente. No entanto, o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou, à época, não ter registros de denúncias contra o profissional em seus arquivos.
Com a repercussão do caso, o Cremeb informou que tomou conhecimento do episódio após a divulgação pela imprensa e instaurou sindicância para apurar a conduta do médico. A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) também se manifestou, afirmando que acompanha o caso, colaborará com as autoridades e que a direção da Unidade de Emergência de Pirajá adotará as providências administrativas cabíveis.
A importunação sexual é crime previsto no artigo 215-A do Código Penal brasileiro, com pena de reclusão de 1 a 5 anos. Casos envolvendo profissionais de saúde têm gerado debate no Congresso Nacional: a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado já aprovou projeto que eleva em 50% a pena para crimes contra a dignidade sexual praticados por médicos durante o atendimento, mas o texto ainda aguarda votação na Câmara dos Deputados.
O Código de Ética Médica proíbe expressamente qualquer prática sexual com pacientes, com possibilidade de cassação do registro profissional pelo Conselho Regional de Medicina. O caso de El-Sarli segue sob acompanhamento tanto da Justiça quanto dos órgãos de fiscalização da categoria.







