A Polícia Civil da Bahia prendeu três pessoas nesta terça-feira (15) durante a Operação Sem Lastro, em Salvador. A ação mira um grupo suspeito de criar e negociar títulos de crédito e recebíveis fraudulentos, entre eles duplicatas falsas.
Um casal foi localizado no bairro de Jardim Armação. A terceira pessoa presa estava no bairro de Jardim das Margaridas. Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em residências e estabelecimentos comerciais.
Segundo a investigação, o grupo usava empresas do ramo veterinário, que trabalhavam com venda e armazenamento de ração e insumos para animais, para simular regularidade nas operações financeiras e viabilizar a negociação dos títulos no mercado.
O homem preso em Jardim Armação atuava nos setores financeiro e comercial das empresas envolvidas. Ele é apontado como responsável pela criação, falsificação e negociação dos títulos fraudulentos. De acordo com as investigações, ele também praticava o chamado autopagamento: usava recursos das próprias empresas para quitar alguns dos títulos e simular capacidade financeira. Depois que as primeiras irregularidades foram descobertas, ele teria apresentado uma nova carteira de títulos fraudulentos, avaliada em R$ 17 milhões.
A mulher presa em Jardim das Margaridas trabalhava nas áreas financeira e contábil do grupo. Segundo os autos, ela participava da manipulação de balanços e informações financeiras para dar aparência de solidez às empresas usadas no esquema.
A terceira presa é médica-veterinária e esposa do principal investigado. Ela respondia pela área patrimonial e societária das empresas. Em 24 de março de 2026, durante o período das investigações, a totalidade das cotas de uma das empresas, avaliadas em R$ 1 milhão, foi transferida para o nome dela. A movimentação estaria ligada a uma separação do casal que os investigadores consideram simulada, já que publicações em redes sociais indicaram que a convivência entre os dois continuou.
Durante as buscas, a polícia apreendeu celulares, tablets, escrituras, cadernos, comprovantes bancários e outros documentos.
O delegado José Nélis, responsável pela operação, afirmou que as fraudes atingiram comerciantes e investidores. "O esquema atingiu comerciantes e investidores, além de diversas pessoas que tiveram seus nomes protestados indevidamente por títulos que não correspondiam a dívidas reais. Os prejuízos foram especialmente graves para pequenos comerciantes, levando alguns deles à falência. A movimentação societária identificada durante as investigações também funcionou como mecanismo de proteção patrimonial, dificultando a localização e eventual recuperação de bens relacionados aos valores obtidos com as fraudes", disse o delegado.
Os três presos permanecem à disposição da Justiça. A Operação Sem Lastro é conduzida pelo Departamento de Polícia Metropolitana (DEPOM). As investigações seguem para apurar a participação individual de cada envolvido, rastrear o destino dos recursos e verificar se há outras pessoas ligadas ao esquema.







