O braço patrimonial da Operação Pergaminho voltou a agir em Sergipe. O Cope (Centro de Operações Policiais Especiais) da Polícia Civil do estado apreendeu, nesta terça-feira (23), dois bens de alto valor vinculados à organização criminosa investigada no âmbito da operação. As medidas foram cumpridas por determinação judicial da 2ª Vara Criminal de Aracaju.
Um dos itens confiscados é um veículo localizado no município de Itabaiana. O outro é um conjunto formado por reboque e moto aquática, encontrado após diligências que identificaram a transferência do bem para terceiros. Segundo as investigações, a negociação pode ter sido realizada na tentativa de ocultar patrimônio vinculado ao grupo e dificultar o rastreamento dos ativos pelas autoridades.
As apreensões integram o conjunto de ações voltadas à descapitalização financeira do grupo criminoso — estratégia que busca identificar, bloquear e retirar de circulação bens adquiridos com recursos de origem ilícita. As investigações identificaram uma estrutura criminosa com atuação interestadual e divisão de funções entre integrantes responsáveis por atividades operacionais, financeiras e logísticas.
A Operação Pergaminho foi deflagrada para desarticular uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, homicídios e lavagem de dinheiro. Conforme o diretor do Cope, Dermival Eloi, o grupo tinha base no conjunto Eduardo Gomes, em São Cristóvão, mas atuava em toda a região metropolitana de Aracaju, em outras cidades de Sergipe e também em outros estados.
A ação, coordenada pelo Cope com apoio da Divisão de Inteligência e Planejamento Policial, resultou no cumprimento de 70 ordens judiciais, entre mandados de prisão, busca e apreensão e bloqueio de bens, em Sergipe e outros estados. As decisões judiciais foram cumpridas em cidades como Catanduvas (PR), Salvador, Santo Antônio de Jesus e Irecê (BA), além de Aracaju, São Cristóvão, Areia Branca e Tobias Barreto, em Sergipe.
As investigações tiveram início em 12 de dezembro de 2024, quando o líder do grupo ainda se encontrava no sistema prisional sergipano. No dia 16 de dezembro, ele rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu, mesmo estando em prisão domiciliar para tratamento de saúde. Ele passou por Sergipe, Bahia, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, até ser recapturado no Paraná, a poucos quilômetros da fronteira com o Paraguai.
As investigações também apontaram o envolvimento de um policial civil, que teria fornecido informações sigilosas e auxiliado na logística do líder da organização. A Operação Pergaminho integra uma estratégia nacional de enfrentamento ao crime organizado, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, no âmbito da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim). As investigações seguem em andamento.







