O Ministério Público do Estado da Bahia deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2), a Operação Parasita em Eunápolis, no extremo sul do estado. A ação mirou uma suposta associação criminosa investigada por desviar recursos públicos destinados à gestão do Hospital Geral de Eunápolis (HGE). No decorrer das buscas, um homem foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.
A operação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, o GAECO Sul, em conjunto com a 3ª Promotoria de Justiça de Eunápolis e com apoio do 28º Batalhão da Polícia Militar. Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pela Vara Criminal da Comarca de Eunápolis.
Três endereços ligados aos investigados foram vasculhados pelas equipes. Durante as buscas, a Polícia Militar localizou uma arma em posse de um dos suspeitos. O homem, cuja identidade não foi divulgada, foi autuado em flagrante e encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça. Além da prisão, notebooks, celulares, tablet e documentos diversos foram recolhidos para análise.
Segundo o MP-BA, a investigação apura fraudes em contratos, emissão de notas fiscais com valores superfaturados, apropriação ilícita de verbas públicas e possível ocultação da origem dos recursos obtidos de forma ilegal. O nome escolhido para a operação não é por acaso: conforme o próprio Ministério Público, "Parasita" faz referência ao suposto modo de atuação do grupo investigado, que teria se aproveitado de recursos essenciais à saúde pública para benefício de interesses particulares.
O material apreendido será analisado pelos investigadores. De acordo com os promotores do GAECO Sul, as medidas cautelares tiveram como objetivo preservar provas e evitar a destruição de documentos ou interferência na coleta de evidências. O procedimento tramita sob sigilo judicial, e novas diligências podem ser adotadas a partir do resultado das análises.
A Prefeitura de Eunápolis, responsável pela unidade de saúde, divulgou nota afirmando que a administração municipal e seus agentes públicos não são alvos da operação. O município informou ter tomado conhecimento da ação exclusivamente pelos veículos de comunicação, sem ter recebido qualquer notificação oficial. A gestão municipal afirmou ainda estar à disposição das autoridades para prestar informações, dentro dos limites de suas atribuições.
Eunápolis já foi palco de outras operações voltadas à gestão pública. A Operação Fraternos, realizada anteriormente, investigou um amplo esquema de corrupção e improbidade administrativa envolvendo agentes da região. A Operação Parasita reacende o debate sobre a aplicação correta dos recursos públicos no município, especialmente os destinados à saúde.







