Um caso de estelionato registrado em Recife (PE) acende o alerta para uma modalidade de golpe cada vez mais comum no Brasil: criminosos que exploram a internação hospitalar de uma pessoa para enganar seus familiares. Segundo informações divulgadas pelo portal R7, os golpistas utilizaram o fato de uma paciente estar hospitalizada para entrar em contato com os filhos dela e aplicar o crime.
A tática é sofisticada e se apoia no desespero natural de quem tem um familiar doente. Os estelionatários se passam por médicos, funcionários do hospital ou representantes de planos de saúde, alegando urgências médicas ou cobranças indevidas de procedimentos. O objetivo é pressionar as vítimas a fazerem transferências bancárias ou pagamentos via Pix antes que tenham tempo de confirmar qualquer informação.
Esse tipo de fraude não é novidade no país. Golpistas telefonam para o ramal do apartamento do paciente, para a casa ou celular, ou ainda enviam mensagens de WhatsApp, fazendo se passar por médicos, representantes do hospital ou de planos de saúde, realizando cobranças indevidas de serviços hospitalares, levando o paciente ou o familiar a fazer um depósito ou Pix em uma conta falsa.
O problema é tão sério que hospitais em todo o Brasil já passaram a emitir alertas formais aos pacientes e acompanhantes. Um hospital foi condenado a indenizar uma paciente e seus dois filhos após eles terem sido vítimas de estelionatários que usaram informações médicas sigilosas da mulher, que estava internada no estabelecimento, para dar o golpe. O caso foi julgado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
A urgência fabricada é a principal arma dos criminosos. Os criminosos costumam criar uma sensação de urgência para impedir que a vítima reflita antes de agir. No contexto de uma internação hospitalar, esse recurso se torna ainda mais eficaz, já que os familiares estão emocionalmente fragilizados e tendem a agir rápido diante de qualquer novidade sobre o estado de saúde do parente.
A inteligência artificial tornou os golpes mais sofisticados porque permite reproduzir vozes com um grau de realismo cada vez maior. Hoje, ouvir a voz de um familiar não é mais uma garantia de autenticidade. Especialistas recomendam sempre confirmar qualquer pedido de dinheiro por outros canais antes de realizar qualquer transferência.
A orientação de segurança é clara: todo atendimento feito por meio do SUS é gratuito, e nenhuma cobrança legítima de hospital é realizada por meio de depósitos bancários ou em conta de terceiros. Qualquer solicitação desse tipo deve ser tratada como suspeita imediatamente.
Quem cair em um golpe como esse não precisa se calar. Dependendo das circunstâncias, é possível buscar responsabilização dos envolvidos e reparação dos danos. A informação continua sendo a melhor defesa contra qualquer fraude. O registro do boletim de ocorrência é o primeiro passo para qualquer investigação policial.
Em caso de dúvida sobre cobranças hospitalares, o recomendado é desligar o telefone imediatamente, se dirigir pessoalmente ao hospital e verificar a situação do paciente diretamente com a equipe médica ou administrativa. Nunca forneça dados bancários ou realize pagamentos por orientação recebida apenas por telefone ou mensagem.







