Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Polícia

Mulher morta por negar beijo foi esfaqueada 15 vezes, conclui polícia em MG

Inquérito concluído: Jovem é indiciado por matar mulher após rejeição em Campos Altos (MG). Agressor premeditou o crime com canivete, diz polícia.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
11 de março, 2026 · 13:30 3 min de leitura
Foto: TV KZ/Divulgação
Foto: TV KZ/Divulgação

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu as investigações sobre o assassinato de Priscila Beatriz Teixeira, de 38 anos, ocorrido na cidade de Campos Altos, no Alto Paranaíba. O inquérito apontou que a vítima foi morta com 15 golpes de canivete desferidos por Matheus Vinícius de Souza, de 18 anos, após recusar um beijo do suspeito. O crime aconteceu na noite de 23 de fevereiro e foi presenciado por um dos filhos da mulher, uma criança de oito anos.

Publicidade

Com a finalização do documento policial, Matheus foi formalmente indiciado pelos crimes de feminicídio e importunação sexual. O delegado Jeferson Leal, responsável pelas apurações, explicou que a motivação do homicídio esteve diretamente ligada ao sentimento de rejeição do agressor diante da negativa da vítima em ser beijada durante uma conversa. A legislação brasileira prevê penas que variam de 12 a 30 anos de prisão para o feminicídio. No entanto, neste caso específico, a punição pode sofrer um aumento de um terço devido ao agravante de o crime ter sido cometido na frente do filho da vítima. A importunação sexual, caracterizada pela tentativa de ato libidinoso sem consentimento, possui pena prevista de um a cinco anos de reclusão.

A dinâmica dos fatos revelou que o encontro entre os dois ocorreu sob o pretexto de uma negociação para a compra de um aparelho celular. Durante a conversa no portão da residência, Matheus tentou forçar o beijo e, ao ser repelido, iniciou o ataque. Em seu depoimento às autoridades, o jovem alegou ter sofrido um lapso de consciência, descrevendo sua atitude como uma atitude impensada. Apesar dessa declaração, a polícia trabalha com a forte tese de premeditação. Para as autoridades, o fato de o agressor ter ido até a casa da vítima já portando um canivete de cabo azul demonstra planejamento prévio. Familiares de Priscila também relataram a existência de imagens de segurança que mostrariam o rapaz rondando e vigiando a residência dias antes do ataque.

O conjunto probatório reunido pela polícia incluiu diversas imagens de câmeras de monitoramento da região. Os vídeos registraram a chegada de Matheus, vestindo roupas escuras e botas amarelas, e auxiliaram a traçar sua rota de fuga, que consistiu em pular muros de residências vizinhas logo após o esfaqueamento. A captura do suspeito ocorreu de forma célere, impulsionada por uma denúncia de que um homem estaria tentando contratar um táxi com urgência para fugir para a cidade de Medeiros, alegando ter cometido um ato grave. A Polícia Militar conseguiu identificar o endereço do jovem por meio de um aplicativo de mensagens e o prendeu em casa. No local, foram encontradas as roupas sujas e molhadas que ele usava no momento do crime. Ao ser confrontado, ele confessou a autoria e reconheceu a arma apreendida.

Publicidade

A morte gerou forte comoção entre moradores, amigos e familiares, que descrevem Priscila como uma mulher batalhadora, simples e uma mãe exemplar. Ela trabalhava como cozinheira em um projeto municipal e deixou três filhos de cinco, oito e treze anos. Na noite do crime, apenas os dois mais novos estavam na casa. O menino de oito anos, que presenciou a mãe ser atacada, correu para a rua em busca de socorro e foi amparado por um vizinho. Priscila chegou a ser socorrida com vida e levada ao Hospital Municipal de Campos Altos, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos. Horas antes de ser assassinada, a vítima havia feito uma publicação em suas redes sociais pedindo proteção divina contra armadilhas e maldades. Atualmente, as três crianças estão sob os cuidados dos pais biológicos.

O indiciado, que até então não possuía antecedentes criminais, foi encaminhado ao Presídio Regional de Araxá, onde permanece detido. O advogado que o representou durante a audiência de custódia informou ter deixado a defesa do caso, e até o momento, um novo representante legal não foi nomeado. O inquérito policial foi remetido ao Ministério Público de Minas Gerais, instituição que agora fará a análise detalhada do documento para apresentar a denúncia formal à Justiça e definir as próximas medidas cabíveis no âmbito do processo penal.

Galeria · 1 imagem1 / 1
Foto: Polícia Civil/Divulgação
Foto: Polícia Civil/Divulgação

Leia também