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Polícia Federal investiga trend no TikTok que ensina jovens a agredir mulheres

Vídeos com o lema 'Caso ela diga não' viralizaram. Pesquisa mostra que jovens estão mais conservadores que seus pais por influência das redes.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
11 de março, 2026 · 12:04 2 min de leitura

A Polícia Federal abriu inquérito para investigar uma trend que viralizou no TikTok com o nome “Caso ela diga não”. Os vídeos ensinavam rapazes a reagir com agressão física caso fossem rejeitados por uma mulher, o que acendeu um alerta em todo o país.

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Diante da gravidade, o Ministério da Justiça também entrou no caso e cobrou explicações do TikTok. O governo quer saber por que a plataforma falhou em barrar esse tipo de conteúdo e quais medidas estão sendo tomadas para evitar que isso se repita.

Essa situação não é um caso isolado. Uma pesquisa internacional recente, feita em 29 países, revelou que as redes sociais estão expondo crianças e adolescentes a níveis alarmantes de ódio contra mulheres, conhecido como misoginia, e servindo de motor para a violência no mundo real.

Os números do estudo são preocupantes. Cerca de 31% dos homens com menos de 30 anos acreditam que “a esposa deve sempre obedecer ao marido”. Para se ter uma ideia, entre os homens com 60 anos ou mais, apenas 13% concordam com essa afirmação, mostrando um retrocesso entre as gerações mais novas.

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Especialistas explicam que esse fenômeno é alimentado pela “machosfera”, uma rede de comunidades online onde se prega a ideia de superioridade masculina. Influenciadores exploram o ressentimento de jovens e os convencem de que precisam reafirmar sua dominância sobre as mulheres.

A influência desses grupos já transborda para a vida real. Em um caso de estupro coletivo no Rio de Janeiro, um dos investigados, de 18 anos, foi à delegacia vestindo uma camisa com uma frase comum nesses círculos misóginos, mostrando não ter arrependimento.

Como resposta, parlamentares no Brasil já se movimentam para criar leis que criminalizem a misoginia. A ideia é punir quem espalha discursos de ódio e humilhação contra mulheres, principalmente em fóruns e redes sociais que hoje servem de abrigo para esses grupos.

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