A Polícia Científica de Alagoas (PolC/AL) concluiu, na última segunda-feira (9), a perícia técnica referente ao capotamento de um ônibus que transportava romeiros na rodovia AL-220. O acidente, ocorrido em 3 de fevereiro de 2026, na altura do Povoado Caboclo, em São José da Tapera, resultou em 16 vítimas fatais. Segundo o laudo definitivo emitido pelo Instituto de Criminalística de Arapiraca (ICA), a tragédia foi provocada por uma perda de controle direcional do veículo, refutando as suspeitas iniciais de pane mecânica ou tombamento por velocidade crítica.
A equipe de especialistas, coordenada pelo perito Gerard Deokaran, utilizou princípios da física clássica e uma rigorosa análise do cronotacógrafo para reconstruir a dinâmica exata do capotamento. Durante os levantamentos iniciais na cena do acidente, os peritos já haviam afastado preliminarmente a hipótese de falha estrutural. O veículo, que retornava da cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará, encontrava-se em condições plenamente regulares de funcionamento mecânico.
Um dos principais desafios técnicos enfrentados pela equipe forense — composta também por Rafaela Jansons, Nina Collares, Israel Bezerra e Nivaldo Cantuária — envolveu uma discrepância identificada na escala do disco do tacógrafo. Com o suporte da base de Maceió para a conversão exata dos dados de telemetria, atestou-se que o motorista trafegava a aproximadamente 100 km/h.
Embora esse valor estivesse acima do limite regulamentar do trecho, estipulado em 90 km/h, os cálculos baseados nas forças centrífugas relativas à estabilidade demonstraram que a velocidade extrema necessária para que um capotamento ocorresse por razões puramente físicas naquela curva seria de 138 km/h. Sendo assim, a velocidade excessiva foi cientificamente descartada como o gatilho central para a saída de pista.
Com a confirmação da integridade dos freios, do motor e da estrutura do ônibus após inspeções de identificação veicular, a conclusão pericial redireciona o foco da investigação para o fator humano ou para um evento externo repentino. O relatório detalha que a instabilidade do ônibus teve início com uma derivação brusca de sua trajetória original, culminando na fatalidade no Sertão alagoano.
"Analisamos a cena antes da saída da curva, o raio da curvatura e todos os elementos que auxiliam na compreensão da dinâmica do acidente. Após o estudo da cena e dos equipamentos, concluímos que a causa mais provável do acidente foi a perda do controle direcional, o que resultou na instabilização do veículo e na derivação de sua trajetória original." — Gerard Deokaran, Perito Criminal
Próximos passos do inquérito
O documento técnico entregue pela Polícia Científica servirá agora como a base sólida para a continuidade do inquérito civil. Sob a condução do delegado Diego Nunes, titular do 43º Distrito Policial, a Polícia Civil de Alagoas iniciará uma nova etapa de depoimentos.
A estratégia das autoridades a partir deste momento é confrontar os dados científicos recém-obtidos com os relatos dos sobreviventes da tragédia. A investigação permanece em aberto e busca esclarecer, de forma definitiva, qual elemento causou a súbita perda de direção em um trecho da rodovia que, mecanicamente, o ônibus possuía total capacidade de transpor em segurança.







