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Polícia

Maior desmatador da Caatinga em Alagoas vai para a cadeia: mais de mil hectares destruídos com maquinário e fogo

Suspeito foi capturado em Traipu pela Polícia Federal após representação do MP alagoano; ele já responde por homicídio qualificado e organização criminosa no Maranhão.

Redação ChicoSabeTudo
18 de julho, 2026 · 00:01 3 min de leitura
Área de Caatinga desmatada em Alagoas com vegetação nativa destruída
Área de Caatinga desmatada em Alagoas com vegetação nativa destruída

Um homem apontado pelas autoridades como o principal responsável pelo maior crime ambiental já investigado contra a Caatinga em Alagoas foi preso na quinta-feira (16). A prisão foi realizada pela Polícia Federal após representação do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPE-AL), por meio do Núcleo de Defesa do Meio Ambiente (NUMA) e da Promotoria de Justiça de Traipu.

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O homem foi preso preventivamente em cumprimento a mandado expedido pela 17ª Vara Criminal da Capital. A investigação aponta que a área desmatada pelo suspeito equivale a cerca de 800 campos de futebol. Somando todos os episódios atribuídos a ele, a área devastada ultrapassa mil hectares de vegetação nativa da Caatinga.

O esquema não era amador. Segundo o Ministério Público, as vistorias realizadas em campo, aliadas ao monitoramento por satélite e aos laudos da Polícia Científica, identificaram um esquema de desmatamento com características profissionalizadas. O promotor de Justiça Kléber Valadares, coordenador do NUMA, detalhou o método usado: "O investigado utilizava maquinário pesado para a realização de cortes rasos em extensa vegetação nativa, além de empregar o fogo para eliminar remanescentes florestais", e a perícia confirmou ainda o descarte irregular de agrotóxicos de alta toxicidade, expondo o solo e os recursos hídricos a risco de contaminação.

A ação é um desdobramento da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) do São Francisco, coordenada pelo MPAL e pelo Ministério Público Federal (MPF), com participação do Ibama, do IMA, do Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) da Polícia Militar de Alagoas e da Polícia Científica. O caso tem conexão direta com a bacia hidrográfica do Rio São Francisco, fundamental para toda a região do Nordeste, incluindo o sertão baiano.

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O perfil do investigado vai muito além dos crimes ambientais. O Ministério Público ressalta que o investigado possui um histórico de elevada periculosidade. Na Comarca de Traipu, tramitam em seu desfavor duas ações criminais, ambas por crimes de desmatamento contra o bioma Caatinga. Além disso, ele responde a um processo no Tribunal de Justiça do Maranhão por homicídio qualificado e por suposta participação em organização criminosa.

Na esfera cível, as consequências também são pesadas. O investigado é alvo de duas Ações Civis Públicas distintas que buscam a reparação integral dos danos ambientais causados em duas fazendas — uma ajuizada pelo MPE-AL e outra pelo Ibama. Ambas visam a condenação dos responsáveis por obrigações de fazer, como a execução de Projetos de Recuperação de Área Degradada (PRAD), além do pagamento de indenizações por danos morais coletivos e lucros ilícitos obtidos com a degradação. A Justiça já determinou o bloqueio dos bens do investigado como forma de assegurar recursos para a reparação dos danos ambientais.

O caso ocorre em meio a um cenário de pressão constante sobre o bioma. Após uma alta expressiva em 2024, com perda de mais de 174 mil hectares de vegetação nativa, a Caatinga registrou redução de 9% no desmatamento em 2025, segundo o Deter/INPE. Ainda assim, os números indicam que a pressão sobre o bioma permanece elevada, exigindo ações contínuas e coordenadas de fiscalização e controle.

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As autoridades não descartam a possibilidade de identificação de outros envolvidos no esquema de desmatamento ilegal. O promotor Kléber Valadares afirmou que "a decretação e o cumprimento da prisão preventiva representam um marco na atuação do MPE-AL no enfrentamento aos crimes ambientais", e que "o Poder Judiciário e as instituições de controle não tolerarão a exploração predatória e organizada dos ecossistemas alagoanos."

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