Enquanto Alagoas registrou queda nas mortes violentas em geral, os óbitos provocados por ações policiais seguiram trajetória oposta. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) no último dia 23 de julho, o número de vítimas de intervenções policiais no estado saltou de 75, em 2024, para 116, em 2025 — um crescimento de 54,6%.
O resultado coloca Alagoas na 3ª posição no ranking nacional de maior variação percentual nesse tipo de ocorrência. O estado ficou atrás apenas de Rondônia, que registrou alta de 485,6%, e do Maranhão, com crescimento de 84%, conforme os dados apurados pelo levantamento.
A taxa estadual passou de 2,3 para 3,6 mortes por 100 mil habitantes, acima da média nacional, que ficou em 3,1 por 100 mil. No ranking dos estados, Alagoas ocupa a 10ª posição. No Nordeste, fica em 4º lugar — atrás de Bahia (10,6), Sergipe (84,4) e Rio Grande do Norte (4,0).
Do total de 116 casos registrados no estado em 2025, 109 foram atribuídos a policiais militares em serviço, seis a policiais civis em serviço e um a policial militar fora de serviço. Em 2024, haviam sido contabilizadas 73 mortes em intervenções de militares e duas em ações da polícia civil, segundo informações divulgadas pela fonte original.
O avanço fez a participação das ações policiais no total de mortes violentas em Alagoas subir de 6,6% para 10,9%. Isso significa que, em 2025, aproximadamente uma a cada dez mortes violentas registradas no estado ocorreu durante uma operação policial.
O dado contrasta com a tendência geral da violência no estado: as mortes violentas intencionais recuaram 6,6% em Alagoas no mesmo período, na mesma direção do cenário nacional. O Brasil registrou queda de 8,2% nesse indicador em 2025, atingindo a menor taxa desde o início da série histórica, em 2012 — 19,1 mortes por 100 mil habitantes. A Bahia, vizinha de Alagoas, também reduziu suas mortes violentas intencionais, com queda de 9,6%.
No plano nacional, a letalidade policial seguiu o caminho inverso à redução geral. As mortes decorrentes de intervenções policiais cresceram 5,4% no Brasil, passando de 6.237 para 6.602 vítimas — o maior número absoluto desde que o indicador começou a ser registrado, em 2016. Em média, foram 18 mortes por dia em todo o país provocadas por ações das forças policiais.
O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública é produzido com base em dados fornecidos pelas secretarias estaduais de Segurança Pública, pelas polícias civil, militar e federal, além de outros órgãos oficiais. A publicação é considerada o levantamento mais abrangente sobre segurança pública no Brasil.







