Uma jovem de 24 anos escapou de uma tentativa de feminicídio no interior da Bahia ao simular a própria morte enquanto era esfaqueada pelo ex-companheiro. O caso aconteceu no povoado de Caldeirão Novo, na zona rural de Araci, município localizado no nordeste baiano.
Segundo informações da Polícia Militar, a vítima estava em um bar quando foi abordada pelo ex-companheiro. O homem pediu para reatar o relacionamento, mas recebeu uma resposta negativa. A partir daí, o agressor passou a segui-la até a residência, onde iniciou as agressões com uma faca.
A equipe da PM encontrou a mulher com pelo menos três perfurações — no pescoço, no braço e na perna. Durante o ataque, segundo relato da própria vítima às autoridades, ela fingiu estar morta para fazer o agressor acreditar que tinha concluído o crime. A estratégia funcionou: o homem interrompeu os golpes e deixou o local.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) prestou os primeiros socorros e encaminhou a vítima a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade. O estado de saúde da mulher não foi divulgado pelas autoridades.
O suspeito, identificado pelo apelido de "Didiu", fugiu e até o momento não foi localizado. De acordo com informações divulgadas pela Polícia Militar, equipes tentaram prendê-lo no dia seguinte ao crime, mas ele conseguiu escapar ao se embrenhar em uma área de mata. As buscas continuam.
O caso é investigado pela Polícia Civil, que apura a tentativa de feminicídio e trabalha para capturar o autor.
O episódio acontece em um cenário preocupante para o estado. A Bahia registrou crescimento de 35% nos casos de tentativa de feminicídio entre 2023 e 2024. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, foram 184 ocorrências em 2023 e 250 em 2024.
O padrão se repete nas tentativas de feminicídio: nos últimos quatro anos, foram contabilizadas 912 ocorrências no estado, sendo apenas 107 na capital. Ou seja, aproximadamente 88% dos casos se concentram no interior. Nove em cada dez vítimas de feminicídio estavam inseridas no contexto de violência doméstica, segundo relatório da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), publicado em 2026.
Em casos de violência doméstica, denúncias podem ser feitas pelo número 180, a Central de Atendimento à Mulher, disponível 24 horas por dia. O 190 da Polícia Militar também atende ocorrências de urgência.







