A Polícia Militar da Bahia encerrou uma "guerra de espadas" nas ruas de Santo Estêvão na noite de terça-feira (23), durante os festejos juninos do município. Militares da 57ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) foram acionados por denúncia e confirmaram, no local, que a prática ilegal estava em curso.
Ao chegarem à rua apontada pelos denunciantes, os agentes encontraram um grupo de pessoas envolvido na atividade. Uma delas tentou se desfazer do material: deixou duas bolsas nas proximidades antes de ser abordada. Dentro das bolsas, os policiais encontraram 78 espadas e um maçarico, segundo informações divulgadas pela 57ª CIPM.
Quatro pessoas foram conduzidas até a Delegacia Territorial de Santo Estêvão para as medidas legais cabíveis. Todo o material apreendido também foi encaminhado à unidade policial.
A operação faz parte de um conjunto de medidas preventivas adotadas após recomendação formal do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA). O órgão orientou o município a proibir e combater as "guerras de espadas" durante o São João e demais festejos juninos, diante dos graves transtornos causados à população — incluindo danos materiais e riscos à saúde pública.
O MPBA também pediu que os comandos da Polícia Militar e da Polícia Civil adotassem medidas imediatas para apreensão dos artefatos e localização de depósitos, fabricantes, vendedores e compradores.
A "guerra de espadas" consiste no lançamento de artefatos explosivos caseiros nas ruas durante as festas juninas. As espadas são feitas com bambu, pólvora e limalha de ferro — materiais que resultam em alto risco de acidentes, queimaduras graves e danos a propriedades próximas.
Na Bahia, a prática foi proibida pela primeira vez pela Vara Criminal em Cruz das Almas em 2011, em resposta à ação movida pelo Ministério Público estadual, e desde 2017 é considerada ilegal em todo o território baiano por decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA).
Qualquer conduta relacionada ao uso, porte ou fabricação de espadas é enquadrada no artigo 16 do Estatuto do Desarmamento (Lei Federal nº 10.826/2003). A pena prevista pode variar de três a seis anos de reclusão, além de outras sanções legais.
Santo Estêvão não é caso isolado. Durante o mês de junho, a Polícia Civil realizou operações em várias regiões do estado e apreendeu fogos de artifício e outros artefatos irregulares, reforçando as ações de fiscalização durante o período junino. Em Cruz das Almas, por exemplo, foram apreendidas 216 espadas prontas para comercialização, além de insumos utilizados na produção dos artefatos, como barro e bambus cortados.
As autoridades reforçam que denúncias sobre a prática podem ser feitas pelos canais oficiais de segurança pública do estado. Quem for flagrado participando de guerras de espadas, fabricando ou transportando os artefatos, responde criminalmente.







