A morte do soldador Jeferson do Rosário Fernandes, de 34 anos, baleado na noite de domingo (24) no bairro Campo Limpo, em Feira de Santana, trouxe à tona um histórico de envolvimento com o crime que a própria família da vítima conhecia bem. O delegado Gustavo Coutinho, titular da Delegacia de Homicídios (DH) do município, foi quem detalhou o perfil da vítima durante as investigações.
Jeferson foi assassinado a tiros por volta das 21h na Rua Monsenhor Moisés Gonçalves do Couto, no bairro Campo Limpo, em Feira de Santana. Segundo informações divulgadas pelo portal Acorda Cidade, ele estava em um depósito de bebidas quando um homem desceu de um veículo preto e efetuou vários disparos. Peritos encontraram no local 12 cápsulas de pistola calibre .380 e fragmentos de projéteis.
O delegado Gustavo Coutinho afirmou, conforme informações do Acorda Cidade, que Jeferson tinha "ficha criminal extensa", com registros ligados a drogas, violência doméstica e furto de motocicleta — este último ocorrido ainda em maio. Consta ainda, segundo o delegado, um homicídio culposo no trânsito em 2004. As circunstâncias do crime não surpreenderam nem os familiares mais próximos: de acordo com o Acorda Cidade, a própria família dizia que a morte era uma "tragédia anunciada" pelas más companhias que ele mantinha.
A principal linha de investigação da Polícia Civil é o envolvimento com o tráfico de drogas, mas o delegado também não descarta a hipótese de vingança relacionada a crimes anteriores. O levantamento cadavérico foi marcado pelo silêncio de quem estava no local: segundo informações do Acorda Cidade, as testemunhas se recusaram a falar com a polícia por medo, tanto do tráfico quanto da própria reputação do bairro.
O contexto da morte não é isolado. O Campo Limpo figura entre os bairros com maior número de homicídios em Feira de Santana, empatado com o Tomba com 19 ocorrências, segundo dados do Comando de Policiamento da Região Leste. "Esses quatro bairros representam um terço de todos os homicídios em Feira de Santana", afirmou o próprio delegado Gustavo Coutinho.
Segundo o delegado, "cerca de 80% de todas essas mortes possuem envolvimento direta ou indiretamente com o tráfico de drogas" na cidade — dado que reforça a linha adotada para investigar a morte de Jeferson.
Uma equipe do SAMU foi acionada e chegou a prestar os primeiros socorros, mas a vítima não resistiu. O corpo foi encaminhado para o Departamento de Polícia Técnica (DPT). O autor dos disparos ainda não foi identificado.
O delegado Coutinho ressaltou, conforme divulgado pelo Acorda Cidade, que independentemente do histórico da vítima, a Delegacia de Homicídios tem a obrigação de investigar todos os crimes. As apurações incluem oitiva de frequentadores do local, moradores da região e análise de eventuais imagens de câmeras de segurança. A dificuldade, segundo ele, está no silêncio das testemunhas, comum em regiões dominadas pelo tráfico.







