Dez anos de dor, espera e uma luta incansável por justiça. Nesta quarta-feira (10), o brutal assassinato da menina juazeirense Beatriz Angélica Mota completa uma década sem um desfecho judicial. O crime, que chocou o país, aconteceu durante uma festa de formatura em um colégio particular de Petrolina, em Pernambuco, cidade vizinha a Juazeiro, na Bahia, e ainda aguarda o julgamento do homem apontado como suspeito.
Beatriz, que tinha apenas sete anos, foi assassinada no dia 10 de dezembro de 2015. Ela havia saído para beber água durante a formatura da irmã e, pouco depois, seu corpo foi encontrado em um depósito de material esportivo. Uma faca peixeira estava cravada em seu abdômen, e a criança apresentava ferimentos também no tórax, braços e pernas, detalhe que intensificou o horror da descoberta.
A Identificação do Suspeito e os Obstáculos
A investigação do caso teve um avanço significativo em janeiro de 2022, quando Marcelo da Silva foi identificado como suspeito. A identificação veio após exames de DNA feitos na faca encontrada junto ao corpo de Beatriz. Naquele momento, Marcelo já estava preso por outros crimes, o que adicionou uma camada de complexidade ao processo.
Inicialmente, Marcelo chegou a confessar o assassinato, mas depois enviou uma carta à defesa, alegando que havia sido pressionado a admitir a autoria do crime. Essa mudança de versão é um dos pontos cruciais que o advogado de Marcelo, Rafael Nunes, usa para sustentar que a confissão não tem validade jurídica. O advogado de defesa argumenta que há inconsistências nas provas e falta de material genético do acusado no corpo da vítima, tentando impedir que o caso vá a júri popular.
Apesar da identificação e de uma audiência de instrução realizada em dezembro de 2022, o processo não avançou para o júri. Em dezembro de 2023, a juíza do Tribunal do Júri de Petrolina, Elane Brandão Ribeiro, chegou a determinar que Marcelo fosse julgado, mas até agora, o julgamento não aconteceu. Atualmente, o processo aguarda decisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.
A Luta Incansável de Lúcia Mota, a Mãe de Beatriz
A busca por justiça pela filha transformou completamente a vida de Lúcia Mota, a mãe de Beatriz. Ela se jogou na vida pública e na política para dar voz não só à sua dor, mas à de muitas outras famílias que enfrentam situações semelhantes. Lúcia disputou cargos eletivos em Petrolina, foi vereadora entre 2023 e 2024 e, em 2023, assumiu a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco. Hoje, está quase terminando o curso de Direito, equipando-se ainda mais para a batalha legal.
"Eu fui obrigada a me transformar nessa mulher. Enfrentar criminosos perigosos, enfrentar um sistema. Seria egoísta não compartilhar isso com outras mães e famílias", disse Lúcia Mota, mostrando a força de sua missão.
Para Lúcia, a autoria e a motivação do crime estão claras. "A gente tem certeza de que Marcelo da Silva é o assassino de Beatriz e que, se ele sair amanhã, vai cometer outros crimes contra outras Beatrizes", afirmou, expressando seu medo e convicção.
Enquanto o sistema judiciário tenta resolver os impasses, Marcelo da Silva continua cumprindo pena no presídio de Igarassu, na Região Metropolitana do Recife, por outro crime. A família de Beatriz, especialmente Lúcia Mota, segue firme, esperando que, mesmo após uma década, a justiça seja feita e a memória da pequena Beatriz seja honrada com um julgamento justo.







