O município de Traipu, no sertão alagoano, recebeu na manhã desta quarta-feira (20) o seu próprio Banco Vermelho. A solenidade aconteceu na Praça Coronel Neto, no Centro da cidade, e reuniu secretários municipais, vereadores e outras autoridades locais em torno de uma causa que, segundo os dados, se torna cada vez mais urgente em Alagoas.
O Banco Vermelho é um símbolo internacional de conscientização e combate ao feminicídio. A história do movimento teve início na Itália, em 2016, quando duas mulheres que haviam perdido amigas vítimas de feminicídio decidiram transformar o luto em mobilização social. A cor vermelha representa o sangue derramado pelas vítimas. No Brasil, a campanha foi difundida pelas brasileiras Andrea Rodrigues e Paula Limongi, que também perderam amigas em crimes de feminicídio.
Em 31 de julho de 2024, a iniciativa foi oficialmente instituída no país pela Lei Federal nº 14.942/2024, que prevê a instalação de bancos vermelhos em espaços públicos como parte da política nacional de combate à violência contra a mulher. Desde então, municípios, universidades e instituições de todo o Brasil têm aderido à campanha.
Em Traipu, a versão do banco será itinerante: estará presente em eventos, ações e praças de forma periódica, segundo informações divulgadas pela Prefeitura Municipal. A iniciativa conta com o apoio das Secretarias Municipais da Mulher e Direitos Humanos, Igualdade Racial e Diversidade, Assistência Social, Educação e Cultura.
Para a secretária da Mulher, Rafaela de Ginaldo, a chegada do símbolo a Traipu vai além do aspecto físico. Segundo ela, o banco representa "um convite para que toda a sociedade se envolva ativamente na causa e trabalhe em conjunto para transformar essa realidade", reforçando que a violência de gênero é uma responsabilidade coletiva. O secretário de Igualdade Racial e Diversidade, Manoel Oliveira (Bié), por sua vez, destacou que o silêncio também tem peso nessa equação e que os homens precisam assumir papel ativo na transformação social.
O contexto que motivou a ação é grave. Alagoas registrou oito casos de feminicídio nos três primeiros meses de 2026, segundo a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Sinesp), ligada ao Ministério da Justiça. Em comparação com o mesmo período de 2025, houve aumento nos registros — no ano anterior, foram contabilizados seis casos entre janeiro e março. Se Maceió e Arapiraca lideram em números absolutos, as maiores taxas proporcionais estão no interior do estado.
No cenário nacional, o quadro também é alarmante. Em 2025, o Brasil registrou 1.568 mulheres vítimas de feminicídio, um aumento de 4,7% em relação a 2024, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública — o equivalente a uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em razão do gênero. De acordo com dados do Instituto Banco Vermelho, o Brasil ocupa a quinta posição entre 196 países em número de assassinatos de mulheres, sendo que uma mulher é morta a cada seis horas no país.
A Prefeitura de Traipu reforça que, em situações de violência, ameaça ou qualquer risco, é essencial buscar ajuda imediatamente. O Disque 180 — Central de Atendimento à Mulher — funciona 24 horas por dia, de forma gratuita e sigilosa. O 190 da Polícia Militar também está disponível, por meio da Patrulha Maria da Penha.







