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Quinze anos como morada da fé: o jubileu do Santuário Santa Dulce dos Pobres na Bahia

Inaugurado em 27 de abril de 2011, o templo erguido no antigo Cine Roma, em Salvador, tornou-se o principal destino de peregrinação à primeira santa nascida no Brasil.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Municipios
21 de maio, 2026 · 06:26 3 min de leitura
Interior do Santuário Santa Dulce dos Pobres, em Salvador (BA), com fiéis em oração
Interior do Santuário Santa Dulce dos Pobres, em Salvador (BA), com fiéis em oração
PI 637

Em 27 de abril de 2026, o Santuário Santa Dulce dos Pobres completou quinze anos desde sua dedicação oficial. O templo, situado no bairro Roma, na Cidade Baixa de Salvador, ao lado das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), tornou-se em pouco mais de uma década o principal destino de peregrinação dedicado à primeira santa nascida no Brasil.

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O espaço tem raízes ainda mais antigas. A estrutura foi erguida a partir de 2002, por meio de uma campanha de doações conhecida como Campanha do Tijolo, e inaugurada em 2003 com o nome de Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. O templo recebeu oficialmente a dedicação de Santuário no dia 27 de maio de 2011, em rito presidido pelo então arcebispo de Salvador, Dom Murilo Krieger. O atual nome só veio em 2019: a mudança para Santuário Santa Dulce dos Pobres ocorreu no dia 13 de outubro de 2019, data da canonização de Irmã Dulce.

O local carrega história antes mesmo do templo religioso. A igreja foi construída no mesmo local onde, na década de 1940, Santa Dulce havia erguido o Círculo Operário da Bahia e o Cine Roma. Hoje, o santuário está localizado no Largo de Roma e tem capacidade para mais de 1.000 pessoas sentadas.

O coração do santuário é a Capela das Relíquias. É lá que estão depositadas as relíquias de Santa Dulce, em um espaço circular, com o túmulo que guarda os restos mortais da santa — aberto ao público desde 9 de junho de 2010, quando o corpo foi transladado da Capela Santo Antônio para sua nova morada. Em setembro de 2019, a chapel passou por reforma e ganhou um túmulo de vidro com uma representação em tamanho real da Santa.

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A devoção a Santa Dulce está diretamente ligada à trajetória de uma mulher que transformou a caridade em missão de vida. Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes nasceu em Salvador, em 26 de maio de 1914, e faleceu na mesma cidade em 13 de março de 1992. Conhecida como o "Anjo Bom da Bahia", ela dedicou décadas à assistência aos mais pobres, acolhendo doentes e desabrigados quando ainda não havia estrutura para isso. Seu trabalho incansável a levou à indicação ao Prêmio Nobel em 1988.

O rito de canonização ocorreu na missa dominical de 13 de outubro de 2019, no Vaticano, pelo Papa Francisco. Santa Dulce dos Pobres tornou-se a primeira mulher comprovadamente nascida no Brasil a ser canonizada. A canonização multiplicou o fluxo de visitantes: segundo registros do próprio santuário, o número de visitantes aumentou dez vezes após a canonização oficial, com pessoas de todas as partes do Brasil e do mundo indo ao local para rezar e pedir intercessão.

Em artigo publicado pelo portal A Tarde para marcar o jubileu, Frei Ícaro Rocha, reitor do santuário, e o professor e doutor em Educação pela UFBA Anderson Rios destacam que o espaço vai além da visitação religiosa. Para eles, o santuário representa um ponto de encontro humano onde a fé do povo baiano se renova diariamente, mantendo vivo o legado de quem dedicou a vida aos esquecidos e aos pobres.

Quinze anos depois de sua dedicação oficial, o Santuário Santa Dulce dos Pobres segue de portas abertas todos os dias, recebendo peregrinos de diferentes estados e países que buscam não apenas um lugar sagrado, mas o testemunho concreto de que a caridade pode mudar vidas — ontem pelo exemplo de Irmã Dulce, hoje pelo que o santuário continua a construir em seu nome.

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