Em 27 de abril de 2026, o Santuário Santa Dulce dos Pobres completou quinze anos desde sua dedicação oficial. O templo, situado no bairro Roma, na Cidade Baixa de Salvador, ao lado das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), tornou-se em pouco mais de uma década o principal destino de peregrinação dedicado à primeira santa nascida no Brasil.
O espaço tem raízes ainda mais antigas. A estrutura foi erguida a partir de 2002, por meio de uma campanha de doações conhecida como Campanha do Tijolo, e inaugurada em 2003 com o nome de Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. O templo recebeu oficialmente a dedicação de Santuário no dia 27 de maio de 2011, em rito presidido pelo então arcebispo de Salvador, Dom Murilo Krieger. O atual nome só veio em 2019: a mudança para Santuário Santa Dulce dos Pobres ocorreu no dia 13 de outubro de 2019, data da canonização de Irmã Dulce.
O local carrega história antes mesmo do templo religioso. A igreja foi construída no mesmo local onde, na década de 1940, Santa Dulce havia erguido o Círculo Operário da Bahia e o Cine Roma. Hoje, o santuário está localizado no Largo de Roma e tem capacidade para mais de 1.000 pessoas sentadas.
O coração do santuário é a Capela das Relíquias. É lá que estão depositadas as relíquias de Santa Dulce, em um espaço circular, com o túmulo que guarda os restos mortais da santa — aberto ao público desde 9 de junho de 2010, quando o corpo foi transladado da Capela Santo Antônio para sua nova morada. Em setembro de 2019, a chapel passou por reforma e ganhou um túmulo de vidro com uma representação em tamanho real da Santa.
A devoção a Santa Dulce está diretamente ligada à trajetória de uma mulher que transformou a caridade em missão de vida. Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes nasceu em Salvador, em 26 de maio de 1914, e faleceu na mesma cidade em 13 de março de 1992. Conhecida como o "Anjo Bom da Bahia", ela dedicou décadas à assistência aos mais pobres, acolhendo doentes e desabrigados quando ainda não havia estrutura para isso. Seu trabalho incansável a levou à indicação ao Prêmio Nobel em 1988.
O rito de canonização ocorreu na missa dominical de 13 de outubro de 2019, no Vaticano, pelo Papa Francisco. Santa Dulce dos Pobres tornou-se a primeira mulher comprovadamente nascida no Brasil a ser canonizada. A canonização multiplicou o fluxo de visitantes: segundo registros do próprio santuário, o número de visitantes aumentou dez vezes após a canonização oficial, com pessoas de todas as partes do Brasil e do mundo indo ao local para rezar e pedir intercessão.
Em artigo publicado pelo portal A Tarde para marcar o jubileu, Frei Ícaro Rocha, reitor do santuário, e o professor e doutor em Educação pela UFBA Anderson Rios destacam que o espaço vai além da visitação religiosa. Para eles, o santuário representa um ponto de encontro humano onde a fé do povo baiano se renova diariamente, mantendo vivo o legado de quem dedicou a vida aos esquecidos e aos pobres.
Quinze anos depois de sua dedicação oficial, o Santuário Santa Dulce dos Pobres segue de portas abertas todos os dias, recebendo peregrinos de diferentes estados e países que buscam não apenas um lugar sagrado, mas o testemunho concreto de que a caridade pode mudar vidas — ontem pelo exemplo de Irmã Dulce, hoje pelo que o santuário continua a construir em seu nome.







