Moradores de Atalaia, na Zona da Mata de Alagoas, amanheceram intrigados nesta quinta-feira (25) após encontrarem seis ovelhas mortas em uma propriedade rural. Os animais foram achados em uma área conhecida como região da Varesa 2, próximo à Usina Brasileira. O caso rapidamente repercutiu nas redes sociais e reacendeu o temor que já vinha se espalhando por diversas cidades alagoanas.
Segundo informações divulgadas pelo portal TNH1, os bichos apresentavam ferimentos graves na região do pescoço e havia vestígios de lã espalhados pelo terreno. O proprietário percebeu a situação nas primeiras horas da manhã e, ao chegar ao local, acionou pessoas da comunidade para verificar o ocorrido. Ele então foi à delegacia e registrou boletim de ocorrência. À polícia, informou que ouviu latidos de cachorros durante a madrugada, no horário em que o ataque pode ter acontecido.
A principal suspeita é a de que o rebanho tenha sido vitimado por cães errantes. O médico veterinário Epitácio Correia, mestre em Ciência Animal, já havia explicado esse padrão em casos anteriores registrados no estado. Segundo ele, cães errantes desenvolvem comportamento predatório quando vivem sem tutores e com pouco acesso a alimento. O especialista também esclareceu que a ausência de grandes quantidades de sangue nos corpos não indica necessariamente algo incomum, já que ataques de cães podem provocar perfurações profundas sem espalhar sangue pelo chão.
O caso de Atalaia não é isolado. Outros ataques semelhantes foram registrados desde o final de fevereiro na área rural de São Brás e nos meses seguintes em Porto Real do Colégio, Craíbas, Igaci e Arapiraca, com pelo menos 80 animais mortos contabilizados até início de maio. Apontado por moradores como o lendário "chupacabra", o suspeito dos ataques foi associado à morte de mais de 100 animais em cidades do Agreste.
O que mais chama atenção é o padrão: os animais apresentam perfurações na região do pescoço e, em muitos casos, são encontrados sem sangue próximo aos corpos. O medo tomou conta de várias comunidades, que passaram a realizar vigílias noturnas na tentativa de identificar o responsável pelos ataques.
Em um dos casos mais emblemáticos, registrado na zona rural de Craíbas em abril, um homem de 28 anos prestou depoimento à Polícia Civil após afirmar ter presenciado e interrompido um ataque contra o rebanho da própria família, na madrugada do dia 7 de abril. Ao chegar ao local, ele contou ter visto dois cães de médio porte, semelhantes a vira-latas, além de um terceiro animal que afirmou não conseguir identificar, descrevendo a criatura como extremamente rápida, com estrutura de cachorro, mas com características incomuns.
O problema não se limita a Alagoas. Na Bahia, a questão dos cães errantes atacando rebanhos ganhou pauta na Assembleia Legislativa. Um deputado estadual é autor de projeto de lei que institui política sanitária de controle de cães errantes que atacam caprinos e ovinos na zona rural, diante da dificuldade dos municípios em promover campanhas de castração por falta de recursos, enquanto os animais se reproduzem e passam a caçar em propriedades rurais.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre as causas das mortes em Atalaia, e especialistas reforçam que situações semelhantes podem estar relacionadas a ataques de predadores, doenças ou outros fatores, sendo necessária uma análise técnica para esclarecer o ocorrido. A Polícia Civil deve conduzir a investigação a partir do boletim de ocorrência registrado pelo proprietário dos animais.







