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Salvador lamenta morte de Mãe Carmen do Gantois aos 98 anos

Salvador chora a perda de Mãe Carmen do Gantois, ialorixá do Terreiro do Gantois e filha de Mãe Menininha, aos 98 anos. Prefeito e vice lamentam a partida.

Redação ChicoSabeTudo
26 de dezembro, 2025 · 11:29 2 min de leitura
Foto: Betto Jr. / Secom
Foto: Betto Jr. / Secom

Salvador, na Bahia, perdeu uma de suas maiores referências espirituais e culturais na última sexta-feira (26). Morreu aos 98 anos, Mãe Carmen Oliveira da Silva, conhecida como Mãe Carmen do Gantois. Ela era a ialorixá (sacerdotisa) que comandava o Ilé Ìyá Omi Àse Ìyámase, o histórico Terreiro do Gantois, e também a filha mais nova da lendária Mãe Menininha do Gantois. Sua partida deixou um vazio imenso na comunidade afro-brasileira e em toda a capital baiana, gerando manifestações de pesar de diversas autoridades.

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O prefeito de Salvador, Bruno Reis, e a vice-prefeita Ana Paula Matos, foram alguns dos nomes que expressaram publicamente sua tristeza pela morte de Mãe Carmen. Em uma declaração emocionada, Bruno Reis destacou a sabedoria e o amor ao próximo que marcaram a vida da ialorixá.

"Com profundo pesar, Salvador se despede de Mãe Carmen do Gantois, uma mulher de muita sabedoria e amor ao próximo, cuja trajetória deixa um legado imenso de preservação da ancestralidade e de cuidado com as pessoas. Mãe Carmen seguirá como luz a guiar caminhos e a fortalecer nossa cidade, seguindo os passos de sua Mãe. Meus sentimentos à família, aos filhos e filhas de santo e a toda a comunidade do Gantois."

A vice-prefeita Ana Paula Matos, que também está à frente da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, reforçou a importância do trabalho de Mãe Carmen para a cidade. Ela descreveu a líder religiosa como uma verdadeira guardiã de um patrimônio que, ao mesmo tempo, une fé, cultura, memória e resistência.

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"A filha de Mãe Menininha do Gantois foi guardiã de um patrimônio que une fé, cultura, memória e resistência. Sua trajetória fortaleceu o diálogo inter-religioso, a formação cultural, as ações sociais e a preservação dos saberes ancestrais que moldam a identidade de Salvador."

Ana Paula Matos fez questão de ressaltar o orgulho que Salvador sente pelo trabalho de Mãe Carmen à frente de um dos terreiros de matriz africana mais antigos e respeitados do Brasil. Segundo ela, o legado da ialorixá é fundamental para a identidade da cidade.

"Que a espiritualidade abençoe todos amigos e familiares. A cidade de Salvador agradece sua passagem pela terra."

A ialorixá era uma figura central para o candomblé na Bahia, mantendo viva uma tradição secular e ensinamentos que moldam não só a fé, mas também a cultura e a história de Salvador. Seu papel como líder religiosa de um terreiro tão emblemático, fundado no século XIX, fazia dela uma voz respeitada e uma força para a comunidade. A ligação com sua mãe, Mãe Menininha, uma das mais célebres líderes religiosas do Brasil, amplificava ainda mais sua influência e a responsabilidade de manter o legado de fé e resistência do Gantois. Sua vida foi dedicada a cultivar a espiritualidade afro-brasileira e a promover valores de solidariedade e respeito, deixando uma marca indelével na memória da capital baiana.

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