Produtores rurais e moradores de Ibirapitanga, na Bahia, bloquearam um trecho da BR-101 na manhã deste domingo (25), no distrito de Itamarati. A manifestação chamou a atenção para a crise que atinge os cacauicultores da região, com a queda acentuada no preço do cacau, principal motor econômico local.
A mobilização, que causou um grande congestionamento em ambos os sentidos da rodovia, é um grito de socorro dos agricultores. Segundo informações obtidas pelo ChicoSabeTudo através de seu parceiro Giro Ipiaú, a principal queixa é a desvalorização da arroba do fruto, que compromete a renda de centenas de famílias e a continuidade da atividade agrícola.
Importação de cacau africano preocupa produtores
Um dos motivos apontados pelos produtores para a queda nos preços é o aumento da importação de cacau vindo da África. Eles argumentam que essa prática inunda o mercado interno e pressiona para baixo o valor pago pelo produto cultivado no Brasil, prejudicando diretamente quem vive da lavoura.
A situação é ainda mais delicada porque, após alcançar preços recordes no início de 2024, a arroba do cacau despencou, chegando a custar cerca de R$ 250. Essa brusca desvalorização afeta principalmente os pequenos agricultores e os meeiros, que dependem exclusivamente do cacau para seu sustento.
Publicidade“É um desespero ver o preço cair tanto depois de um período de alta. Nossas famílias dependem disso. Não podemos aceitar que o cacau de fora venha e tire o nosso pão de cada dia”, desabafou um produtor que preferiu não ser identificado, presente no protesto.
A BR-101 é uma das mais importantes vias de ligação do sul da Bahia, e o bloqueio causou transtornos significativos para quem precisava transitar pela área. Até o momento em que esta matéria foi finalizada, a pista continuava interditada, e não havia detalhes sobre negociações com autoridades ou qual esfera de governo (municipal, estadual ou federal) o protesto estava especificamente direcionado. A comunidade de Ibirapitanga espera que a manifestação traga visibilidade para o problema e gere ações concretas para proteger os produtores de cacau.







