Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Municipios

MSC Cruzeiros retira Ilhéus do roteiro 2026/2027 após protesto no porto

Ilhéus perde MSC Cruzeiros na temporada 2026/2027 após bloqueio no porto por taxistas e motoristas. O cancelamento pode gerar milhões em prejuízos ao turismo local.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Municipios
25 de janeiro, 2026 · 12:03 3 min de leitura
Foto: Reprodução / Porto e Navios
Foto: Reprodução / Porto e Navios

A cidade de Ilhéus, na Bahia, recebeu uma notícia que abalou seu setor turístico: a MSC Cruzeiros decidiu cancelar todas as escalas de seus navios para a temporada 2026/2027. A companhia encerrou negociações importantes que previam visitas regulares de transatlânticos, o que movimentaria milhões de reais na economia local. O motivo da desistência foi um incidente considerado grave: um protesto de motoristas que bloqueou o acesso ao porto da cidade.

Publicidade

Na última quinta-feira (22), taxistas, motoristas de aplicativo e condutores de vans se uniram para bloquear o acesso ao Porto do Malhado. Essa ação impediu a passagem de ônibus fretados que seriam responsáveis pelo transporte de passageiros de um navio atracado. Para uma empresa de cruzeiros como a MSC, que opera com horários muito rígidos, protocolos de segurança e tem como foco principal a boa experiência de seus passageiros, o episódio foi visto como um fator extremamente crítico.

O bloqueio gerou atrasos e transtornos consideráveis, comprometendo toda a logística de desembarque e recepção dos turistas. Segundo apuração do site “O Tabuleiro”, esse incidente foi determinante para que a MSC Cruzeiros encerrasse na hora as tratativas que estavam em andamento com o município. Essa decisão representa um duro golpe, pois a presença dos navios trazia grande circulação de dinheiro e visibilidade para Ilhéus.

Os manifestantes, ao protestar, buscavam mais igualdade nas condições de trabalho no atendimento ao turismo. Eles reclamam que empresas privadas estão sendo autorizadas a transportar os visitantes que chegam em navios como o MSC Harmonia, que pode trazer cerca de 3 mil passageiros. Os trabalhadores locais alegam que muitos turistas já contratam o serviço de transfer previamente, no pacote de viagens, sendo levados diretamente do porto para pontos turísticos como a Catedral de Ilhéus e voltando ao navio no fim do dia. Para os profissionais da cidade, esse modelo privilegia empresas específicas e os impede de competir de forma justa.

Publicidade

Diante do risco de um prejuízo milionário para o turismo de Ilhéus, autoridades estão se mobilizando para tentar reverter o cancelamento. Magno Lavigne, secretário de Qualificação, Emprego e Juventude do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), rapidamente começou a acionar seus contatos institucionais. Ele conversou com o secretário de Turismo da Bahia, Maurício Bacelar, e se reuniu em Brasília com a ministra em exercício do Turismo, Fernanda Câmara Norat. O caso também está sendo acompanhado pelo ministro do Turismo, Gustavo Damião Feliciano, mesmo estando em viagem ao exterior. Eles buscam soluções junto à MSC Cruzeiros e à CLIA, a principal associação global da indústria de cruzeiros.

“Estamos tentando ajudar de forma rápida e integrada, com o apoio dos governos estadual e federal e das instituições ligadas ao turismo, para que Ilhéus não perca essa oportunidade de geração de empregos e movimentação econômica. O turismo é vital para a cidade, e nosso trabalho é garantir que essa oportunidade não se perca”, disse Magno Lavigne.

O cancelamento das escalas dos navios afeta diretamente uma vasta cadeia de trabalhadores e empresários da região. Comerciantes, restaurantes, hotéis, guias turísticos, artesãos e todo o setor de transporte, que dependem da movimentação dos passageiros de cruzeiros, vão sentir o impacto. As estimativas iniciais indicam que a cidade pode deixar de receber milhões de reais em circulação econômica, além de sofrer com prejuízos à sua visibilidade internacional como um importante destino turístico. O desafio agora é grande para Ilhéus conseguir reverter essa situação e mitigar os impactos negativos.

Leia também