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Presidente do Comcar critica trios independentes e pede provas no Carnaval

Washington Paganelli, presidente do Comcar, cobra provas sobre a suposta venda de vagas no Carnaval de Salvador e critica a superlotação de trios independentes sem apelo.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Municipios
07 de março, 2026 · 03:12 4 min de leitura
Foto: Prefeitura de Salvador/ Instagram
Foto: Prefeitura de Salvador/ Instagram

A organização do Carnaval de Salvador é um trabalho que nunca para, começando assim que a folia anterior termina. Mas a edição de 2026 trouxe pontos de atenção importantes, especialmente sobre o uso dos espaços na avenida, e as discussões já aquecem os preparativos para 2027, que promete ser ainda maior, com um dia extra de festa com o Pipoco.

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Washington Paganelli, presidente do Conselho Municipal do Carnaval e Outras Festas Populares (Comcar) de Salvador, conversou com o Bahia Notícias e trouxe à tona duas grandes polêmicas que movimentaram a festa: a suposta venda de vagas na fila dos desfiles e a superlotação de trios independentes.

Presidente do Comcar exige provas sobre suposta venda de vagas

Uma das maiores especulações que circularam nas redes sociais foi a de que vagas na fila de desfile dos blocos estariam sendo vendidas. Washington Paganelli é enfático ao negar a prática e desafia quem acusa a apresentar provas concretas.

“Quando se fala venda, é muito subjetivo. É o que as pessoas falam, certo? Mas até hoje não apareceu nenhuma prova. Eu acho que, a todos que acusam, cabe a eles mostrar a prova. Se eu vou acusar alguém de fazer algo ilícito, se a polícia chega ali para uma pessoa e diz ‘Você é traficante’, ela vai ter que provar e mostrar a droga na mão daquela pessoa. Então, se tem alguém que está acusando, que apresentem as provas e aí nós tomaremos as medidas possíveis desde quando haja a prova. Estou doido para isso, para que apareçam as provas”

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O empresário, que também é responsável pelo tradicional bloco As Muquiranas, ressalta que a ordem dos desfiles é definida pela data de fundação dos blocos, um acordo que já dura mais de 40 anos e é estabelecido em assembleias com total transparência. Ele também mencionou que o Comcar não pode impedir que artistas busquem seus direitos na Justiça, como ocorreu no caso da cantora Daniela Mercury, que reivindicou a vaga do bloco Camaleão e chegou a obter uma liminar, posteriormente suspensa pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

Não é a primeira vez que o assunto sobre venda de vagas é discutido. Em 2013, o Ministério Público investigou uma denúncia contra o bloco Bróder, do ex-jogador Edilson Capetinha, que supostamente teria vendido seu espaço para o bloco Largadinho. Na época, o Comcar suspendeu temporariamente o Bróder. Em 2017, o mesmo bloco foi alvo de nova investigação por trocar de atração sem aviso prévio.

Superlotação de trios independentes e o gargalo da avenida

Outra queixa frequente no Carnaval é o curto intervalo entre os trios elétricos, causando aglomeração e dificuldade de movimentação. A cantora Anitta, por exemplo, sugeriu publicamente ao prefeito Bruno Reis que aumentasse o espaçamento entre os trios para melhorar a fluidez da festa.

Paganelli, contudo, explica que aumentar esse intervalo é uma missão quase impossível. Com a grande quantidade de equipamentos na rua, estender o tempo entre os trios transformaria o Carnaval em uma festa sem fim, dificultando a organização e esgotando artistas e público.

“Nós já temos uma dificuldade para colocar todos os artistas com 15 minutos. Se eu for botar para 20 minutos, eu vou perder, em uma hora, o espaço de mais um artista, e aí eu vou estar com o Carnaval ininterrupto. Eu trabalho das sete da manhã às sete da noite, canso os artistas, o público, não consigo organizar os circuitos. Seria uma grande confusão.”

O presidente do Comcar aponta que um dos maiores problemas na organização é a presença excessiva de trios independentes que não contam com artistas de grande apelo popular. Ele argumenta que um bloco, ao desfilar, gera muito mais emprego, renda e impostos do que um trio independente, que emprega um número significativamente menor de pessoas.

  • No primeiro dia de Carnaval, dos 28 trios no Circuito Dodô (Barra-Ondina), 25 não eram blocos. Destes, 19 foram iniciativas públicas (Prefeitura ou Governo).
  • No segundo dia, de 20 trios, apenas 7 eram blocos.
  • A segunda-feira de Carnaval foi o dia com mais blocos, totalizando 9.

Paganelli sugere que os artistas independentes busquem patrocínio da iniciativa privada para financiar seus desfiles, em vez de ocupar espaços que já são escassos e tradicionalmente destinados aos blocos. O investimento público no Carnaval de 2026 ultrapassou R$ 90 milhões, gerando um retorno econômico superior a R$ 3 bilhões, segundo a vice-prefeita Ana Paula Matos.

O futuro do Carnaval será amplamente debatido no Fórum do Carnaval, agendado para os dias 14 e 15 de abril. O evento reunirá entidades carnavalescas, empresários, jornalistas e diversos agentes da festa para discutir e implementar melhorias para a folia dos próximos anos.

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