O cenário de instabilidade no Oriente Médio e a volatilidade do mercado internacional de petróleo geraram um reflexo direto e imediato nas bombas brasileiras. Segundo levantamento da TruckPag, empresa especializada em gestão de frotas, o preço médio do diesel no Brasil atingiu R$ 7,22 nesta quarta-feira (19), representando uma valorização de 25,7% em relação ao patamar de R$ 5,74 registrado no final de fevereiro.
O avanço, que ocorre em um intervalo de menos de um mês, destaca a velocidade com que as tensões geopolíticas são repassadas à cadeia logística nacional.
Um ponto de atenção para o setor é a diferença entre os preços praticados em tempo real e os relatórios oficiais. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) registrou, na última semana, um aumento de 11%. No entanto, como a coleta da agência ocorre nos primeiros dias úteis e é divulgada posteriormente, existe um atraso natural na percepção de choques rápidos.
"Num choque como esse, onde os preços subiram quase 1% ao dia, essa janela de atraso da ANP é significativa. Na prática, nossos dados mostram que o preço transacionado no posto já subiu quase R$ 1,50 na média nacional desde 28 de fevereiro", explica Kassio Seefeld, CEO da TruckPag.
O levantamento da empresa é baseado em 143 mil transações em mais de 4,6 mil postos, sendo que 94% deles estão localizados em rodovias, o que oferece um termômetro preciso do custo do transporte de cargas.
Panorama regional
A pressão inflacionária sobre o combustível apresentou variações significativas entre as regiões do país, refletindo diferenças na logística e na distribuição. O estado do Tocantins, na região Norte, registrou a subida mais expressiva do levantamento, com o litro do diesel aumentando 37,1%.
Na região Sul, Santa Catarina liderou os reajustes com uma alta de 29,9%, seguida de perto por Goiás, que teve a maior subida do Centro-Oeste ao registrar 29,2%. No Nordeste, o destaque ficou para o Piauí, com elevação de 28%, enquanto no Sudeste, o estado de São Paulo apresentou o maior aumento da região, com uma variação de 27%.
Fatores Determinantes
O Brasil possui uma dependência estrutural da importação de diesel. Cerca de 30% do consumo nacional é suprido pelo mercado externo. Com a escalada do conflito no Oriente Médio, ataques a refinarias e o impasse no Estreito de Ormuz, o preço do barril de petróleo registrou picos de volatilidade nas últimas semanas.
Como o diesel importado é precificado em dólar e segue as cotações internacionais, as distribuidoras repassam o custo excedente aos postos de forma quase imediata para manter a viabilidade das operações.
Medidas governamentais
Apesar de o Governo Federal ter anunciado a redução de tributos e um subsídio de R$ 0,32 por litro, a magnitude da alta internacional superou o fôlego da desoneração. Na prática, o subsídio serviu para conter o que poderia ser uma subida ainda mais acentuada, mas não foi suficiente para impedir que o valor final pesasse no bolso do transportador.
Impacto na Cadeia de Consumo:
Logística: O aumento encarece o frete, principal componente de custo para transportadores autônomos e empresas.
Alimentos e Produtos: Como o modal rodoviário é predominante, especialistas preveem que o impacto nos preços de supermercados deve aparecer em cerca de 30 dias.
Inflação: A pressão sobre o índice geral de preços dependerá da duração do conflito e da estabilidade das rotas marítimas estratégicas.







