O primeiro afoxé formado só por mulheres no Brasil, as Filhas de Gandhy, está perto de se tornar Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador. A proposta já tramita na Câmara de Vereadores da capital baiana, apresentada pelo vereador Felipe Santana (PSB).
Mas o que isso muda na prática? O título não é só um troféu na parede. Ele ajuda a proteger a história do grupo e pode atrair mais visibilidade e patrocinadores, já que a questão financeira é uma das maiores dificuldades para blocos culturais.
Fundado em 1979, o Filhas de Gandhy foi um marco na cultura baiana. Ele abriu as portas para o protagonismo feminino numa tradição que era dominada por homens, se tornando um símbolo de resistência e força para as mulheres, em especial as mulheres negras.
O trabalho do afoxé também vai muito além dos dias de Carnaval. Durante todo o ano, a instituição oferece cursos e projetos para a comunidade, atendendo cerca de 800 mulheres. A ideia é transformar a realidade delas, ajudando a garantir mais autonomia e uma fonte de renda.
Para o vereador autor do projeto, reconhecer o Filhas de Gandhy como patrimônio é uma questão de "justiça histórica". A medida valoriza a cultura afro-baiana e ajuda a garantir que essa importante manifestação cultural continue viva para as próximas gerações.
Enquanto aguardam a votação, o grupo já está a todo vapor planejando o futuro. O desfile de 2027 já foi confirmado com o tema “O Reino de Ajé Olokun: A Realeza do Ouro Abissal”, e a venda das fantasias já começou.







