O Porto de Aratu-Candeias, na Região Metropolitana de Salvador, abriu em março de 2026 uma frente que estava parada há mais de cinco décadas. Pela primeira vez em 51 anos de funcionamento, o complexo passou a operar granéis vegetais, com a movimentação de 35 mil toneladas de sorgo originadas no oeste baiano, marcando o início de uma nova etapa logística para o escoamento da produção agrícola do estado.
O terminal responsável pela operação é o ATU 18, que se tornou o primeiro dedicado à exportação de grãos dentro de um porto público da Bahia. Logo em seguida, em abril, um segundo navio partiu carregado com 57 mil toneladas de soja. A expectativa é ambiciosa: com a ampliação da capacidade operacional, o terminal poderá movimentar até 3,5 milhões de toneladas de grãos por ano, com previsão de alcançar até 3 milhões de toneladas já neste primeiro ano de operação.
Por trás desse movimento está a CS Portos, empresa da CS Infra, do Grupo Simpar. A companhia assumiu, em 2022, dois arrendamentos estratégicos no Porto de Aratu: o ATU 12, voltado à movimentação de granéis sólidos minerais, e o ATU 18, direcionado aos granéis vegetais. Desde então, os investimentos nos dois terminais superaram R$ 900 milhões.
O impacto vai além do volume de carga. Segundo a companhia, cerca de 1,2 milhão de toneladas produzidas no oeste da Bahia deixavam de ser exportadas pelo estado por falta de infraestrutura. Com a nova estrutura, parte desse volume passa a sair pela própria Bahia, encurtando em cerca de 800 quilômetros o trajeto em relação a alternativas como o Porto de Itaqui, no Maranhão, e reduzindo o custo do frete em aproximadamente R$ 20 por tonelada.
A mudança interessa diretamente ao MATOPIBA — sigla para as fronteiras agrícolas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A região se consolidou como uma das principais fronteiras agrícolas do país, com crescimento acelerado da produção de grãos nos últimos anos, o que tem pressionado a infraestrutura logística e ampliado a disputa entre portos do Norte e Nordeste pelo escoamento dessas cargas.
No ATU 18, a modernização incluiu a construção de infraestrutura específica para grãos. Foram instalados classificadores, tombadores, moegas rodoviárias, pátio para veículos e quatro silos com capacidade de 30 mil toneladas cada, além de equipamentos de última geração — entre eles um shiploader dedicado exclusivamente à exportação de grãos, com capacidade de até duas mil toneladas por hora.
O outro terminal do complexo, o ATU 12, também passou por transformação expressiva. As melhorias resultaram em aumento de cerca de 3,5 vezes na capacidade de movimentação, que passou para até 6 milhões de toneladas por ano. O terminal opera cargas como fertilizantes, enxofre, coque de petróleo, clínquer e magnésita — insumos que alimentam diretamente a produtividade do campo antes mesmo da colheita.
Os investimentos contaram com reforço financeiro público. Em janeiro de 2025, o BNDES aprovou R$ 246 milhões em garantias de fianças bancárias vinculadas a financiamentos do Banco do Nordeste para os terminais ATU 12 e ATU 18. A perspectiva de longo prazo é ainda maior: após novas expansões, a movimentação anual do ATU 18 poderá chegar a 7,5 milhões de toneladas.
Para o diretor-presidente da CS Portos, Marcos Tourinho, a abertura do ATU 18 representa uma virada histórica. "Entregamos uma estrutura à altura do potencial do agronegócio, ajudando a reduzir gargalos logísticos, elevar a produtividade e impulsionar o desenvolvimento econômico da região", afirmou. Em 2025, o Porto de Aratu movimentou 3,6 milhões de toneladas, crescimento de 17,3% frente ao ano anterior, segundo dados da Antaq. Com os novos terminais em plena operação, a tendência é de aceleração desse ritmo.







