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Menos da metade das vias em favelas da Bahia comporta ônibus, diz IBGE

Dados do Censo 2022 do IBGE mostram que menos da metade das ruas em favelas na Bahia tem espaço para ônibus e caminhões, dificultando o acesso ao transporte público.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Municipios
22 de janeiro, 2026 · 03:09 3 min de leitura
Foto: Thuane Maria / GovBA
Foto: Thuane Maria / GovBA

A vida em muitas favelas e comunidades urbanas da Bahia já enfrenta desafios como precariedade e dificuldade de acesso a serviços essenciais. Agora, um novo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), parte do Censo 2022, mostra que até mesmo algo tão básico quanto pegar um ônibus se torna um grande obstáculo. A razão é simples: a maioria das ruas nessas áreas não é larga o suficiente para veículos grandes.

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De acordo com o estudo “Favelas e Comunidades Urbanas: Características urbanísticas do entorno dos domicílios”, somente 44,46% das ruas dentro das favelas na Bahia têm espaço para a circulação de ônibus ou caminhões. Esse dado alarmante destaca uma barreira física que impede o transporte público de chegar perto da casa de muitos moradores, agravando a desigualdade social no acesso a direitos.

Bahia tem o pior cenário do Brasil para transporte em favelas

O IBGE explicou que, para determinar a capacidade de circulação, avaliou a largura das vias e a existência de obstáculos como postes ou fios baixos. As ruas foram classificadas desde as mais amplas, que permitem a passagem de ônibus e caminhões, até becos e escadarias, que só dão acesso a carros, motos ou apenas pedestres.

A Bahia se destaca negativamente nesse cenário. O estado, junto com Amapá, Pernambuco e Alagoas, registrou uma capacidade inferior a 50% para receber veículos grandes em suas favelas. Em contraste, estados como Piauí e Tocantins mostram uma realidade bem diferente, com mais de 90% das vias de suas comunidades comportando ônibus e caminhões.

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Fora das favelas, a situação muda drasticamente na Bahia. Em áreas urbanas que não são comunidades, 82,45% das vias têm capacidade para ônibus e caminhões. No entanto, mesmo com esse percentual, a Bahia ainda tem o pior índice de vias aptas para veículos grandes entre todas as 27 unidades da federação quando se considera o total do território. E a deficiência não para por aí: o estudo também apontou que pontos de parada de ônibus estão presentes em apenas 3,7% das vias de favelas.

Pavimentação surpreende, mas calçadas são um problema

Apesar das dificuldades com a circulação de veículos grandes, o levantamento do IBGE trouxe um dado curioso sobre a pavimentação. As favelas urbanas da Bahia lideram o ranking nacional em ruas pavimentadas, com impressionantes 91,54% de suas vias asfaltadas ou calçadas. É um contraste notável com a falta de espaço para o transporte público.

Por outro lado, as calçadas representam outro desafio significativo. Na Bahia, 60,14% das ruas nas comunidades urbanas simplesmente não têm um espaço adequado para os pedestres. O estado foi o sexto pior do Brasil nessa categoria, mostrando a necessidade urgente de infraestrutura para quem anda a pé. E mesmo onde existem calçadas, 34,49% delas apresentam obstáculos, dificultando a caminhada. No entanto, neste quesito específico dos obstáculos, a Bahia foi o sexto estado com o menor percentual, indicando que, embora poucas, as calçadas existentes são um pouco mais livres de obstruções se comparadas a outros estados.

Esses dados revelam uma complexa realidade de infraestrutura nas favelas baianas, onde a pavimentação é alta, mas a capacidade para o transporte público e a existência de calçadas para pedestres ainda são grandes gargalos.

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