A vida em muitas favelas e comunidades urbanas da Bahia já enfrenta desafios como precariedade e dificuldade de acesso a serviços essenciais. Agora, um novo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), parte do Censo 2022, mostra que até mesmo algo tão básico quanto pegar um ônibus se torna um grande obstáculo. A razão é simples: a maioria das ruas nessas áreas não é larga o suficiente para veículos grandes.
De acordo com o estudo “Favelas e Comunidades Urbanas: Características urbanísticas do entorno dos domicílios”, somente 44,46% das ruas dentro das favelas na Bahia têm espaço para a circulação de ônibus ou caminhões. Esse dado alarmante destaca uma barreira física que impede o transporte público de chegar perto da casa de muitos moradores, agravando a desigualdade social no acesso a direitos.
Bahia tem o pior cenário do Brasil para transporte em favelas
O IBGE explicou que, para determinar a capacidade de circulação, avaliou a largura das vias e a existência de obstáculos como postes ou fios baixos. As ruas foram classificadas desde as mais amplas, que permitem a passagem de ônibus e caminhões, até becos e escadarias, que só dão acesso a carros, motos ou apenas pedestres.
A Bahia se destaca negativamente nesse cenário. O estado, junto com Amapá, Pernambuco e Alagoas, registrou uma capacidade inferior a 50% para receber veículos grandes em suas favelas. Em contraste, estados como Piauí e Tocantins mostram uma realidade bem diferente, com mais de 90% das vias de suas comunidades comportando ônibus e caminhões.
Fora das favelas, a situação muda drasticamente na Bahia. Em áreas urbanas que não são comunidades, 82,45% das vias têm capacidade para ônibus e caminhões. No entanto, mesmo com esse percentual, a Bahia ainda tem o pior índice de vias aptas para veículos grandes entre todas as 27 unidades da federação quando se considera o total do território. E a deficiência não para por aí: o estudo também apontou que pontos de parada de ônibus estão presentes em apenas 3,7% das vias de favelas.
Pavimentação surpreende, mas calçadas são um problema
Apesar das dificuldades com a circulação de veículos grandes, o levantamento do IBGE trouxe um dado curioso sobre a pavimentação. As favelas urbanas da Bahia lideram o ranking nacional em ruas pavimentadas, com impressionantes 91,54% de suas vias asfaltadas ou calçadas. É um contraste notável com a falta de espaço para o transporte público.
Por outro lado, as calçadas representam outro desafio significativo. Na Bahia, 60,14% das ruas nas comunidades urbanas simplesmente não têm um espaço adequado para os pedestres. O estado foi o sexto pior do Brasil nessa categoria, mostrando a necessidade urgente de infraestrutura para quem anda a pé. E mesmo onde existem calçadas, 34,49% delas apresentam obstáculos, dificultando a caminhada. No entanto, neste quesito específico dos obstáculos, a Bahia foi o sexto estado com o menor percentual, indicando que, embora poucas, as calçadas existentes são um pouco mais livres de obstruções se comparadas a outros estados.
Esses dados revelam uma complexa realidade de infraestrutura nas favelas baianas, onde a pavimentação é alta, mas a capacidade para o transporte público e a existência de calçadas para pedestres ainda são grandes gargalos.







